OPERAÇÃO BARCO DE PAPEL

Ex-presidente do Rioprevidência é preso pela PF em investigação sobre o Banco Master

Deivis Marcon Antunes foi detido após desembarcar de viagem aos EUA; suspeita envolve investimentos de alto risco feitos pelo fundo de previdência dos servidores do Rio.

Publicado em 03/02/2026 às 14:38
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

Deivis Marcon Antunes, ex-presidente do Rioprevidência, foi preso nesta terça-feira, 3, em uma operação conjunta da Polícia Federal (PF) e da Polícia Rodoviária Federal (PRF). Ele foi detido em Itatiaia, no Estado do Rio de Janeiro, após desembarcar no Aeroporto de Guarulhos, na Grande São Paulo, vindo dos Estados Unidos. O ex-dirigente pretendia seguir viagem ao Rio de Janeiro de carro, mas acabou interceptado pelas autoridades.

Segundo as investigações, um dos principais focos é a análise dos investimentos realizados pelo Rioprevidência no Banco Master. Deivis, que deveria embarcar em conexão para o Aeroporto do Galeão, optou por alugar um carro e seguir pela Rodovia Dutra. Ele saiu de Guarulhos por volta das 7h e foi preso às 9h.

O Estadão tenta contato com a defesa de Deivis Marcon Antunes. O espaço permanece aberto para manifestação.

Deivis deixou a presidência do Rioprevidência em 23 de janeiro, após a deflagração da Operação Barco de Papel, que investiga suspeitas de gestão fraudulenta, desvio de recursos e corrupção no sistema previdenciário dos servidores estaduais do Rio de Janeiro.

Durante sua gestão e a de outros dois ex-diretores, o fundo aplicou cerca de R$ 1 bilhão em letras financeiras do Banco Master. Essa modalidade é considerada de alto risco e não conta com a proteção do Fundo Garantidor de Créditos.

De acordo com o Rioprevidência, os títulos foram emitidos entre outubro de 2023 e agosto de 2024, com vencimentos previstos para 2033 e 2034. Atualmente, a autarquia negocia a substituição dessas letras por precatórios federais.

Apurações do Estadão indicam que, antes de viajar aos Estados Unidos, em 15 de junho, Deivis já evitava sua residência no Rio de Janeiro e vivia em alerta, temendo uma possível operação policial.

Operação Barco de Papel

As investigações da PF apontam suspeitas de que os investimentos do Rioprevidência no Banco Master foram aprovados de forma irregular, contrariando a finalidade do instituto e expondo os servidores públicos a "risco elevado".

Deflagrada em 23 de janeiro, a Operação Barco de Papel representa a terceira ação da PF voltada a apurar crimes relacionados ao Banco Master. Diferentemente das etapas anteriores, esta fase tramita na primeira instância da Justiça Federal do Rio de Janeiro, e não no Supremo Tribunal Federal.

Entre os crimes investigados estão: crimes contra o sistema financeiro nacional, gestão fraudulenta, desvio de recursos, indução de repartição pública a erro, fraude à fiscalização ou ao investidor, associação criminosa e corrupção passiva.