DESEMPENHO INDUSTRIAL

CNI aponta juros altos e aumento das importações como freios para a indústria em 2025

Confederação Nacional da Indústria destaca impacto negativo da Selic elevada, baixa demanda interna e avanço das importações sobre o setor.

Publicado em 03/02/2026 às 18:14
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) atribui a desaceleração do setor industrial em 2025 principalmente aos juros elevados, à demanda interna insuficiente e ao aumento das importações. Segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira, 3, a produção industrial registrou crescimento de apenas 0,6% no ano passado, uma forte desaceleração em relação à alta de 3,1% observada em 2024.

O desempenho só não foi mais negativo devido ao avanço da indústria extrativa, que inclui mineração e extração de petróleo e gás natural. Esse segmento registrou alta de 4,9% em 2025, compensando parcialmente a queda de 0,2% na indústria de transformação — setor responsável por converter matérias-primas em produtos acabados, como alimentos, vestuário, veículos e eletrônicos. Vale lembrar que a indústria de transformação havia crescido 3,7% em 2024.

Juros elevados pressionam o setor

De acordo com a CNI, a desaceleração ficou mais evidente a partir do segundo semestre de 2024, quando o Banco Central iniciou o ciclo de elevação da taxa Selic. Após crescer 2,3% no primeiro semestre daquele ano, a indústria de transformação avançou apenas 1,8% no semestre seguinte. Com o aperto monetário, que levou a Selic a 15% na metade de 2025, a produção do segmento caiu 0,4% no primeiro semestre e recuou 0,8% no segundo semestre do mesmo ano.

“O patamar punitivo da taxa Selic encareceu o crédito ao setor produtivo, freou investimentos e reduziu o apetite dos consumidores por produtos industriais. O prejuízo causado pelos juros altos é enorme: em 2024, com a Selic menor, a demanda doméstica por bens da indústria de transformação cresceu quatro vezes mais do que a demanda registrada até novembro de 2025”, destacou o diretor de Economia da CNI, Mário Sérgio Telles.

Importações em alta e confiança em baixa

Além dos juros, o setor industrial enfrentou o aumento das importações. As compras externas de bens de consumo, bens de capital e bens intermediários cresceram 15,6%, 7,8% e 5,6%, respectivamente, em 2025, capturando uma parcela significativa do mercado interno.

A CNI também ressaltou que o cenário adverso impactou o Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) no início de 2026, que registrou o pior janeiro em dez anos. Assim, o indicador completou 13 meses abaixo da linha de 50 pontos, evidenciando a persistente falta de confiança do setor.

“A falta de confiança faz com que os empresários deixem de investir, produzir e contratar, prejudicando o crescimento da indústria em 2026 e, consequentemente, da economia brasileira”, concluiu a CNI.