MERCADO FINANCEIRO

Bolsas de Nova York fecham em baixa com queda de techs, apesar do fim do shutdown

Setor de tecnologia lidera perdas em Wall Street; cautela predomina mesmo após resolução do impasse orçamentário nos EUA.

Publicado em 03/02/2026 às 18:32
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As bolsas de Nova York encerraram esta terça-feira, 3, em queda, refletindo um clima de cautela impulsionado pela liquidação de ações do setor de tecnologia. O movimento ocorreu mesmo após o fim do shutdown nos Estados Unidos, com investidores avaliando os possíveis impactos da inteligência artificial (IA) em diversos segmentos e o aumento das tensões geopolíticas.

O índice Dow Jones recuou 0,34%, aos 49.240,99 pontos. O S&P 500 caiu 0,84%, fechando em 6.917,81 pontos, enquanto o Nasdaq teve queda de 1,43%, aos 23.255,19 pontos.

Gestoras de fundos privados registraram baixas expressivas, em meio a temores de que a IA possa afetar seus investimentos em software, após a Anthropic lançar novos recursos para automação de tarefas jurídicas. Ares Management e Blue Owl Capital caíram 10,67% e 9,37%, respectivamente. Outras perdas relevantes foram registradas por Apollo Global Management (-4,74%), LegalZoom.com (-19,69%) e KKR (-9,69%). Empresas de dados, comunicação e publicidade, como a Thomson Reuters (-15,67%), também sofreram impactos negativos.

Entre os bancos expostos a investimentos em IA, Goldman Sachs recuou 0,81% e Morgan Stanley caiu 1,16%, contrariando o desempenho positivo de JPMorgan e Citi, que subiram 2,15% e 1,28%, respectivamente. Para a estrategista global da XP, Maria Irene Jordão, o movimento reflete ainda uma reversão das tendências observadas em janeiro entre os grandes bancos.

No grupo das gigantes de tecnologia, IBM (-6,49%), Salesforce (-6,85%), Micron (-4,18%), Nvidia (-2,84%) e Microsoft (-2,87%) estiveram entre as maiores quedas. No segmento de criptomoedas, Strategy (-4,58%) e Coinbase (-4,36%) acompanharam a queda do bitcoin, que atingiu o menor nível de 2024.

A Tesla avançou 0,04% após notícias de que terá uma participação de 2% na fusão da SpaceX-xAI. Já o ADR da Novo Nordisk despencou 14,59%, depois que a farmacêutica dinamarquesa afirmou esperar vendas menores este ano, diante da expectativa de preços mais baixos para Ozempic e Wegovy nos EUA, o que também pressionou as ações da rival Eli Lilly (-3,90%).

Na contramão, o Walmart subiu 2,94% e ultrapassou, pela primeira vez, o valor de mercado de US$ 1 trilhão. Impulsionadas pelas tensões geopolíticas e pela alta do petróleo, Chevron e Exxon Mobil avançaram 2,32% e 3,86%, respectivamente. Freeport-McMoRan (+6,43%) e Newmont (+3,80%) se recuperaram, acompanhando a valorização dos metais básicos e preciosos.

Entre os balanços corporativos, a Palantir Technologies disparou 6,84% após divulgar resultados trimestrais acima das expectativas de Wall Street. A PepsiCo também apresentou alta de 4,83%, ao reportar lucro e receita trimestrais superiores ao previsto.