Petro defende que ajuda dos EUA foque em combater capital do narcotráfico
Presidente colombiano pede a Trump mudanças na estratégia antidrogas, priorizando rastreamento de recursos ilícitos fora do país.
O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, afirmou que o combate conjunto ao narcotráfico com os Estados Unidos deve priorizar a perseguição ao capital mantido por chefes de organizações ilegais fora do país.
As declarações foram feitas em coletiva de imprensa após o encontro com o presidente norte-americano, Donald Trump, em Washington, nesta terça-feira (3).
Ao abordar o enfrentamento à venda ilegal de drogas, Petro criticou a criminalização de camponeses pobres, ressaltando que apenas a ciência pode determinar quais substâncias psicoativas são realmente venenosas e letais. "Há muito preconceito", destacou.
Segundo o presidente colombiano, a estratégia atual de combate ao narcotráfico é falha, pois não atinge os verdadeiros poderosos e acaba deixando impune o núcleo do tráfico internacional.
Petro também enfatizou que os principais consumidores de drogas ilícitas estão fora da Colômbia, defendendo que os governos desses países devem tratar o problema como questão de saúde pública para, assim, reduzir de fato o tráfico.
A reunião em Washington durou cerca de duas horas. De acordo com Petro, foram discutidas a possibilidade de exportação de gás venezuelano via Colômbia, o combate ao narcotráfico e as disputas comerciais e sobre drogas entre Colômbia e Equador, em encontro realizado na Casa Branca.
Venezuela
O presidente colombiano também afirmou ter solicitado aos Estados Unidos a revisão das sanções impostas à Venezuela, visando a reativação de negócios energéticos e outros processos no país vizinho.
"Qual é o papel dos Estados Unidos ali, se não levantar sanções, por exemplo?", questionou Petro.
Petro relatou ainda que Trump perguntou se ele ficou assustado após o sequestro de Nicolás Maduro, presidente da Venezuela:
"Ele me perguntou se eu estava assustado e o que pensava da ação em Caracas. Eu disse que estou acostumado com a guerra. Não nos aprofundamos mais no tema, mas ele perguntou por Delcy [Rodríguez, presidente interina da Venezuela], e eu disse a verdade: que estava conversando com a oposição venezuelana e com setores racionais das forças governistas", relatou Petro.
Cordialidade após tensões
O encontro ocorreu após Trump afirmar que Petro passou a demonstrar maior disposição para colaborar com Washington no enfrentamento ao tráfico de drogas.
Anteriormente, Trump havia acusado Petro de facilitar o fluxo de cocaína para os EUA, impondo sanções ao presidente colombiano e ameaçando ações militares contra o país sul-americano.
Em resposta, Petro criticou o apoio dos EUA a Israel e pediu processos criminais pelos ataques de mísseis americanos a embarcações suspeitas de tráfico de drogas no Caribe.
No entanto, o clima entre os líderes parece ter melhorado no último mês. Fotos publicadas por Petro no X sugerem que o encontro foi cordial. Eles discutiram a erradicação — mas não a fumigação aérea — das plantações de coca. Petro também solicitou a Trump apoio para capturar grandes traficantes que vivem no exterior e pediu mediação nas tensões com o presidente do Equador, Daniel Noboa.