Risco climático terá papel cada vez mais relevante na avaliação de países, aponta Fitch
Agência de classificação desenvolve ferramenta para medir vulnerabilidade climática de nações até 2050
O risco climático deve se tornar um fator cada vez mais determinante na classificação de crédito soberano de diversos países nos próximos anos e décadas, segundo relatório divulgado pela Fitch Ratings nesta terça-feira, 3. Para aprimorar o monitoramento desse cenário, a agência desenvolveu os Sinais de Vulnerabilidade Climática (Climate.VS), uma ferramenta de triagem que facilita a identificação de países com maior exposição a riscos climáticos e permite uma análise mais aprofundada dessas classificações.
A ferramenta Climate.VS reflete a avaliação da Fitch sobre o potencial de exposição dos perfis de crédito soberano a riscos relacionados ao clima entre 2030 e 2050, utilizando uma escala de 0 a 100.
De acordo com a agência, cerca de metade das nações avaliadas pela Fitch apresentam um índice Climate.VS igual ou superior a 50 até 2050, o que indica que os fatores climáticos podem ser suficientemente relevantes para provocar um rebaixamento de rating. "Vemos grandes exportadores de combustíveis fósseis e pequenos países vulneráveis a riscos físicos como os mais expostos", destaca o relatório.
Até 2035, os riscos permanecem mais restritos, com apenas 7% do portfólio possuindo um Climate.VS de 50. "Esperamos que o impacto se intensifique de forma mais rápida e significativa entre 2035 e 2050, à medida que a demanda global por combustíveis fósseis diminui, as temperaturas globais aumentam e eventos climáticos extremos se tornam mais frequentes e severos", alerta a agência.