ANÁLISE INTERNACIONAL

Ataque dos EUA à Venezuela completa 1 mês sob questionamentos internacionais

Três fatos centrais desafiam a narrativa oficial de Washington sobre a incursão militar e a prisão de Maduro.

Por Sputinik Brasil Publicado em 03/02/2026 às 21:50
Incursão militar dos EUA na Venezuela e prisão de Maduro completam um mês sob críticas internacionais. © AP Photo / Ariana Cubillos

Há um mês, os Estados Unidos bombardearam a Venezuela e capturaram o presidente Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, em uma ação que gerou intensa controvérsia e repercussão internacional.

O governo norte-americano justificou a operação afirmando que visava combater o narcotráfico, proteger a segurança nacional dos EUA e promover a democracia venezuelana.

No entanto, desde então, diversos elementos têm colocado em dúvida a legitimidade dessas justificativas. Veja três pontos que desafiam a narrativa de Washington para a incursão na Venezuela.

Combate ao narcotráfico

Desde setembro de 2025, os Estados Unidos intensificaram ataques a embarcações no Caribe e no Pacífico, alegando que transportavam drogas. Pelo menos 80 pessoas morreram nessas ações.

Paralelamente, a Casa Branca acusou Maduro de liderar o chamado Cartel de los Soles. Ao mesmo tempo, o ex-presidente de Honduras, Juan Orlando Hernández, recebeu perdão presidencial de Donald Trump, apesar de graves acusações de envolvimento em um esquema de tráfico que levou mais de 400 toneladas de cocaína aos EUA.

Até agora, o governo dos EUA não apresentou provas de que as embarcações e as vítimas estavam envolvidas com o narcotráfico. Em razão dessa falta de evidências, a Casa Branca enfrenta processos judiciais movidos por familiares das vítimas em tribunais americanos.

Além disso, o Departamento de Justiça dos EUA recuou na retórica inicial e não acusou Maduro, atualmente detido em Nova York, de chefiar um cartel de drogas. A promotoria optou por enquadrá-lo em acusações de "sistema de clientelismo" e "cultura de corrupção". Essa mudança aumentou as dúvidas sobre a legitimidade da operação.

Direito internacional

A ação militar dos EUA na Venezuela foi amplamente condenada como uma violação flagrante do direito internacional. Uma das normas fundamentais estabelece o respeito à soberania, proibindo o uso da força contra a integridade territorial ou independência política de outro Estado.

Como chefe de Estado, Maduro possui imunidade e não poderia ser processado por outro país. Essa diretriz busca garantir relações estáveis entre as nações, independentemente de seus governos.

Questionado sobre o tema, Donald Trump afirmou à imprensa norte-americana que não se sente obrigado a seguir o direito internacional.

"Minha própria moral. Minha própria mente. É a única coisa que pode me parar", declarou o republicano.

Defesa da democracia

Uma das principais justificativas dos EUA para o ataque à Venezuela foi o suposto resgate da democracia. Antes da operação militar, Trump classificou Maduro como "ditador" em diversas entrevistas.

No entanto, após a incursão, ficou claro que o objetivo central era retomar o controle norte-americano sobre o petróleo venezuelano, estatizado em 2007 por Hugo Chávez. Apesar das sanções impostas pelos EUA, Washington manteve interesses no setor até sua saída definitiva.

Na mesma semana do ataque, o secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, anunciou que Washington assumiria o controle do comércio do petróleo venezuelano por tempo indeterminado. Trump ainda afirmou que a Venezuela entregaria entre 30 e 50 milhões de barris de petróleo bruto de alta qualidade aos EUA.