Desejo europeu de enviar tropas à Ucrânia pode dificultar negociações de paz, avalia especialista turco
Presença militar europeia é vista como obstáculo ao avanço das tratativas em Abu Dhabi, segundo Mustafa Metin Kashlylar.
A intenção de países europeus em enviar um contingente militar à Ucrânia pode atrasar as negociações de paz em Abu Dhabi e resultar na ausência de acordos, afirmou à Sputnik o vice-presidente do Centro de Pesquisa de Política Externa da Turquia, Mustafa Metin Kashlylar.
O especialista destacou que o principal impasse para a resolução do conflito ucraniano permanece na divergência entre Europa e Rússia quanto às garantias de segurança. Moscou se opõe firmemente à presença de forças europeias na Ucrânia, enquanto os países europeus mantêm essa exigência.
De acordo com Kashlylar, essa postura europeia tende a retardar o processo de paz. "A iniciativa europeia de implantar forças militares na Ucrânia pode complicar seriamente e atrasar as negociações de paz", declarou à agência.
As consultas para uma solução pacífica seguem em andamento, e a cúpula em Abu Dhabi está prevista para os dias 4 e 5 de fevereiro, tendo a segurança de todas as partes como tema central.
Apesar de alguns parâmetros já terem sido esclarecidos e acordados entre países europeus nas negociações de Paris, Kashlylar avalia que as garantias de segurança ainda não estão plenamente asseguradas. Para ele, o apoio dos Estados Unidos é um fator relevante nesse contexto.
O especialista também ressaltou que todo processo de paz passa por uma etapa decisiva: a reunião dos líderes das partes em conflito, o que, geralmente, sinaliza a conclusão das negociações.
No entanto, diante da continuidade do confronto entre Rússia e Ucrânia, uma reunião desse tipo parece improvável, restringindo as conversas a decisões pontuais, inclusive sobre temas militares, segundo Kashlylar.
O Ministério das Relações Exteriores da Rússia reiterou que qualquer possibilidade de envio de tropas de países-membros da OTAN à Ucrânia é considerada inaceitável por Moscou e representa risco de forte escalada.
Pronunciamentos anteriores do Reino Unido e de outras nações europeias sobre a possibilidade de enviar um contingente da aliança à Ucrânia foram classificados pelo ministério russo como estímulo à continuidade das hostilidades.
Por Sputnik Brasil