CRIME AMBIENTAL

Polícia Civil de SC identifica adolescente como responsável pela morte do cão Orelha

Inquérito aponta que jovem agiu sozinho no caso que gerou comoção nacional; outros três adultos foram indiciados por coação de testemunhas.

Publicado em 04/02/2026 às 07:29
Polícia Civil de SC identifica adolescente como responsável pela morte do cão Orelha Reprodução /redes sociais

A Polícia Civil de Santa Catarina concluiu, na terça-feira (3), o inquérito sobre a morte do cão comunitário Orelha, agredido na Praia Brava, em Florianópolis, no início de janeiro. O caso mobilizou protestos em diversas capitais do País no último domingo.

De acordo com as investigações, Orelha não foi morto por um grupo, como se pensava inicialmente. A apuração revelou que um único adolescente foi responsável pelo crime. Após o ocorrido, o jovem viajou para os Estados Unidos em uma excursão escolar, mas retornou ao Brasil antes do previsto, atendendo a solicitação dos investigadores. A polícia solicitou a internação do agressor e indiciou outros três adultos por coação de testemunhas. Os nomes dos envolvidos não foram divulgados.

Em nota, os advogados do adolescente, Alexandre Kale e Rodrigo Duarte, alegaram que as informações divulgadas são "elementos circunstanciais" e não constituem provas, tampouco autorizam conclusões definitivas. A defesa também afirmou que, até esta terça-feira, não teve acesso completo aos autos da investigação e criticou a politização do caso.

Agressão a outro cão

O inquérito também investigou as agressões contra Caramelo, outro cão comunitário da Praia Brava. Conforme a polícia, o animal foi atacado dias após a morte de Orelha. Imagens de câmeras de segurança mostraram o ataque, praticado por quatro adolescentes que, segundo a investigação, não têm ligação com o caso Orelha. Caramelo sobreviveu.

"Neste caso, há vídeos de adolescentes levando o cão para o mar e o arremessando dentro de um condomínio, por cima de um muro de cerca de 1,5 metro. São adolescentes diferentes do caso do cão Orelha", detalhou a polícia. Os inquéritos de ambos os casos foram encaminhados ao Ministério Público e ao Judiciário.

Orelha foi atacado em 4 de janeiro, por volta das 5h30. Laudos da Polícia Científica apontam que o cão sofreu uma pancada contundente na cabeça, possivelmente causada por um chute ou por um objeto rígido, como um pedaço de madeira ou uma garrafa. No dia seguinte, ele foi resgatado por uma moradora, mas não resistiu e morreu em uma clínica veterinária.

Ao menos oito adolescentes chegaram a ser investigados. No entanto, não há imagens que mostrem o momento da agressão. Segundo a polícia, a identificação do suspeito ocorreu por meio de contradições em seu depoimento e da análise de roupas apreendidas após seu retorno dos EUA. "O desenrolar dos fatos começou às 5h25, quando o adolescente saiu do condomínio, na Praia Brava. Às 5h58, ele retornou ao local acompanhado de uma amiga. Esse foi um dos pontos de contradição em seu depoimento, já que o adolescente alegou ter permanecido na área da piscina, sem saber que a polícia possuía imagens dele deixando o condomínio", informou a corporação.

Outras testemunhas e provas também apontaram que o agressor estava fora do condomínio no horário do crime. O adolescente retornou dos EUA em 29 de janeiro. A polícia informou que um familiar tentou esconder um boné rosa que estava com o jovem e forneceu informação falsa ao afirmar que um moletom – usado no dia do crime – havia sido comprado na viagem.

"O familiar do autor tentou justificar a compra do moletom no exterior, mas o próprio adolescente admitiu que já possuía a peça, utilizada no dia do crime", afirmou a Polícia Civil. A corporação destacou que evitou o vazamento de informações para impedir que o adolescente permanecesse nos EUA ou destruísse provas.