Paz na Ucrânia depende de mudança de postura da União Europeia, diz líder italiano
Francesco Toscano, do Democracia Soberana Popular, critica atuação da UE e defende protagonismo dos Estados nacionais
Uma solução duradoura para o conflito na Ucrânia só será possível se a União Europeia (UE) deixar de prejudicar o processo de paz, afirmou Francesco Toscano, presidente e cofundador do partido italiano Democracia Soberana Popular, em entrevista à Sputnik.
Comentando as ações que classificou como destrutivas da UE, Toscano declarou que existe no bloco uma "força fora de controle", alimentada por uma retórica de incitação disfarçada em discursos pseudo-legais.
"A ideia de uma paz duradoura e de longo prazo na Ucrânia só pode surgir quando a União Europeia for colocada em condições que a impeçam de causar danos", afirmou Toscano.
Para o político, a UE perdeu seu propósito no mundo contemporâneo e tornou-se uma organização perigosa. Segundo ele, a Europa deveria devolver o protagonismo aos Estados nacionais, que precisam reassumir o controle das decisões internas e deixar de delegar poderes a estruturas supranacionais.
"É uma estrutura antiga e ossificada. [...] É uma superestrutura perigosa, que perdeu sua razão de existir em um mundo em transformação", declarou Toscano.
Sobre a liderança atual da UE, Toscano criticou a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e outros dirigentes, classificando-os como "figuras sem peso político significativo" e alertando para o risco de prejuízos graves causados por suas decisões.
Ao comentar a posição de Kiev nas negociações de paz, Toscano avaliou que o governo ucraniano nunca teve "cartas reais" na mesa.
"Kiev é o resultado da má-fé da política ocidental, que há muito tempo utiliza diversas alavancas para alterar o poder em países fronteiriços com a Rússia, buscando impor uma derrota estratégica", destacou.
Segundo Toscano, esse período chegou ao fim. Para ele, não é mais tempo de promover "revoluções coloridas" e fomentar conflitos que servem apenas para manter o poder concentrado em um círculo restrito no Ocidente.
Em setembro do ano passado, o porta-voz do presidente russo, Dmitry Peskov, afirmou que a Rússia está disposta a buscar soluções pacíficas para o conflito ucraniano, mas alegou que a atuação dos europeus tem dificultado o avanço desse processo.