RELATÓRIO INTERNACIONAL

Human Rights Watch alerta para pressão inédita do crime organizado sobre o Estado brasileiro

ONG aponta falhas no modelo de segurança pública e destaca infiltração de facções em instituições; tema será central nas eleições.

Publicado em 04/02/2026 às 07:51
Relatório da HRW destaca pressão inédita do crime organizado sobre instituições brasileiras. © AP Photo / Leo Correa

A Human Rights Watch (HRW) destacou que o Brasil precisa adotar novas estratégias para combater o crime organizado e sua crescente infiltração no Estado, ressaltando que a segurança pública será um dos principais temas da eleição presidencial. Pesquisas recentes apontam crime e violência como as maiores preocupações da população.

No relatório mundial de 2026, a organização internacional de direitos humanos defende uma reformulação profunda das políticas de segurança, com foco no enfrentamento às facções criminosas. A HRW alerta que o modelo atual não tem sido eficaz para conter o avanço dessas organizações nem para garantir a proteção da sociedade.

Segundo apuração do G1, César Muñoz, diretor da HRW no Brasil, relatou ter ouvido de um promotor que policiais estavam envolvidos em todos os casos de facções investigados por ele. Muñoz afirma que grupos criminosos cooptam agentes públicos e até políticos locais, gerando um grave risco de corrupção institucional.

A entidade recomenda o fortalecimento de investigações baseadas em inteligência para identificar vínculos entre criminosos e integrantes do poder público. Entre as propostas, estão estratégias orientadas por dados, aprimoramento das perícias, proteção dos direitos de civis e policiais, além de maior integração entre órgãos federais e estaduais para combater armas, lavagem de dinheiro e fontes de renda das facções.

Casos recentes reforçam a preocupação: investigações revelaram a atuação do Primeiro Comando da Capital (PCC) em setores como transporte, combustíveis e fundos de investimento, além de fraudes em contratos municipais. A condenação de 11 policiais por atuarem como seguranças ilegais para um delator do PCC evidenciou a infiltração do crime organizado nas polícias de São Paulo.

O tema ganhou ainda mais destaque após a megaoperação contra o Comando Vermelho no Rio de Janeiro, que resultou em 121 mortes. No Congresso, avançam propostas do governo Lula para reorganizar diretrizes nacionais de segurança e endurecer punições a facções, em meio a um debate cada vez mais politizado.

A HRW também critica o modelo de operações policiais de caráter militar, que, segundo a organização, aumenta a violência e expõe moradores e agentes a riscos.

Com mais de 6.500 mortes causadas por policiais em 2025, a entidade defende a adoção de políticas baseadas em evidências para reduzir a letalidade policial e proteger efetivamente os direitos da população.

Por Sputinik Brasil