DESEMPENHO BANCÁRIO

Inadimplência acima de 90 dias do Santander Brasil chega a 3,7% no 4º trimestre

Aumento da Selic e cenário macroeconômico desafiam carteira de crédito do banco; pequenas e médias empresas lideram alta nos atrasos

Publicado em 04/02/2026 às 08:04
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

A taxa de inadimplência da carteira de crédito do Santander Brasil apresentou piora nos meses finais de 2025, refletindo os desafios macroeconômicos decorrentes da Selic a 15%. O indicador para atrasos superiores a 90 dias encerrou o quarto trimestre em 3,7%, ante 3,2% no mesmo período do ano anterior e 3,4% no terceiro trimestre de 2025.

Entre pessoas jurídicas, a inadimplência subiu para 2,4%, frente a 1,6% um ano antes, considerando o mesmo critério. O avanço foi puxado principalmente por pequenas e médias empresas, cujo índice aumentou 1,4 ponto percentual no período, atingindo 5,9%. No segmento de grandes empresas, a piora foi mais discreta, com alta de 0,2 ponto percentual, para 0,2%.

Na carteira de crédito de pessoas físicas, os atrasos acima de 90 dias fecharam o trimestre em 4,6%, também acima do observado no mesmo período do ano anterior (4,3%). Segundo o Santander, o aumento esteve concentrado na baixa renda, segmento mais afetado pela permanência de um cenário econômico desafiador.

A inadimplência de curto prazo, para atrasos entre 15 e 90 dias, ficou em 4,0%, ante 3,7% um ano antes e 3,9% ao final do trimestre anterior.

A carteira renegociada atingiu R$ 49,4 bilhões. O Santander explica que passou a incluir renegociações de operações com atraso inferior a 30 dias, o que justifica o incremento de 9,4% em relação ao trimestre anterior. A alteração segue a Resolução 4.966 do Conselho Monetário Nacional (CMN), em vigor desde janeiro do ano passado, tornando o indicador não comparável com anos anteriores.

A entrada de créditos em atraso (NPL formation) somou R$ 6,46 bilhões, representando queda de 2,7% no trimestre, mas alta de 12,5% no acumulado do ano. Já o índice de cobertura da carteira em estágio 3 ficou em 66,4% no período, frente a 66,2% no trimestre anterior.