Dólar recua com fluxo para emergentes e alta do petróleo
Moeda americana perde força diante de divisas ligadas a commodities, enquanto decisões políticas e cenário global influenciam mercados
O dólar opera em queda no mercado à vista na manhã desta quarta-feira (4), acompanhando o enfraquecimento da moeda americana frente às principais divisas emergentes atreladas a commodities. O movimento é impulsionado por uma possível entrada de fluxo de exportadores, diante da valorização do petróleo.
Enquanto isso, os juros futuros avançam, influenciados pelo aumento dos rendimentos dos Treasuries e pela repercussão das medidas de ampliação de gastos aprovadas pelo Congresso. No radar dos investidores, está também a informação de que o presidente Lula avalia nomear os economistas Guilherme Mello e Tiago Cavalcanti para cargos de diretores do Banco Central, segundo a Reuters.
O Congresso aprovou na terça-feira (3) o programa Gás do Povo e um pacote de propostas que amplia remuneração e bônus de servidores do Legislativo e cria cargos no Executivo, com impacto orçamentário estimado em R$ 5,3 bilhões para 2026. As gratificações para servidores do Legislativo, que possibilitam salários acima do teto constitucional, de até cerca de R$ 77 mil, têm custo estimado em R$ 800 milhões.
Levantamento Meio/Ideia aponta que o senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ) está tecnicamente empatado com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em um eventual segundo turno: 45,8% a 41,1%, dentro da margem de erro de 2,5 pontos percentuais. O presidente Lula é desaprovado por 51,4% e aprovado por 46,6% dos entrevistados.
O presidente do Santander Brasil, Mario Leão, declarou que a qualidade de crédito segue pressionada pelo cenário macroeconômico e pelos juros elevados. O banco mantém postura prudente, com crescimento seletivo, gestão ativa de riscos e controle de custos. O lucro de R$ 4,1 bilhões no quarto trimestre foi o maior em quatro anos, com evolução do ROAE.
A avaliação do Ministério da Fazenda melhorou em janeiro de 2026, atingindo o melhor nível em mais de um ano: a nota média subiu de 4,4 para 5,4, segundo o Termômetro Broadcast. Já a avaliação do Banco Central recuou de 7,4 para 7,1.
No exterior, o petróleo avança com prêmio de risco geopolítico, diante de negociações entre EUA e Irã e entre EUA, Rússia e Ucrânia. Já o minério de ferro recuou em Dalian, apesar do PMI de serviços da China acima das expectativas.
O diretor do Fed, Stephen Miran, renunciou ao cargo de principal assessor econômico da Casa Branca, encerrando a função dupla exercida desde setembro. Ele pode permanecer no conselho do Fed até a confirmação de um sucessor.
Na zona do euro, o índice de preços ao consumidor desacelerou para 1,7% em janeiro na comparação anual, abaixo do previsto (1,8%) e da meta de 2% do BCE, segundo a Eurostat. No mês, o CPI caiu 0,5%. O núcleo do índice recuou de 2,3% para 2,2%. A Eurostat também anunciou mudanças metodológicas no índice harmonizado de preços ao consumidor (IHPC) a partir de fevereiro de 2026.
Na agenda do dia, as atenções se voltam para o relatório de empregos ADP dos EUA, às 10h15; os PMIs de serviços da S&P às 11h45 e do ISM às 12h. No Brasil, estão previstos os PMIs composto e de serviços às 10h, além do IC-BR de janeiro e o fluxo cambial semanal às 14h30.