Gastos administrativos do governo federal atingem maior nível em nove anos
Despesas com manutenção da máquina pública ultrapassam R$ 72 bilhões e reduzem espaço para investimentos e programas sociais em 2025.
Os gastos administrativos do governo federal — que englobam despesas como água, energia, telefonia, limpeza, vigilância, aluguéis, passagens e serviços bancários — alcançaram R$ 72,7 bilhões em 2025, o maior valor registrado nos últimos nove anos.
Esses custos, essenciais para o funcionamento da máquina pública, acabam reduzindo o espaço orçamentário destinado a programas sociais, bolsas acadêmicas e investimentos em infraestrutura.
De acordo com dados do Tesouro Nacional, corrigidos pela inflação, despesas desse tipo já haviam ultrapassado R$ 70 bilhões anuais durante os governos de Dilma Rousseff (2011-2016). Após uma queda nas gestões de Michel Temer (2016-2018) e Jair Bolsonaro (2019-2022), os valores voltaram a crescer no terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva, superando novamente a marca em 2024 e 2025.
Esses gastos fazem parte das chamadas despesas livres do governo, que estão sujeitas ao limite de crescimento imposto pelo novo arcabouço fiscal — no máximo 2,5% ao ano acima da inflação. Como os gastos obrigatórios, como benefícios sociais e salários de servidores, crescem acima desse teto, o espaço para despesas discricionárias fica cada vez mais restrito.
Para 2026, o Ministério do Planejamento projeta uma margem de R$ 129,2 bilhões para todos os gastos livres dos ministérios, incluindo custeio administrativo, investimentos e ações finalísticas. Como mais de R$ 70 bilhões já são consumidos apenas pela manutenção da máquina pública, resta pouco para outras áreas prioritárias.
Entre os setores mais impactados estão infraestrutura, defesa agropecuária, bolsas do CNPq e da Capes, emissão de passaportes, fiscalização ambiental e trabalhista, Farmácia Popular, universidades federais e agências reguladoras. A pressão sobre o orçamento limita a expansão e continuidade dessas políticas.
Especialistas ouvidos pelo G1 avaliam que 2026 será um ano especialmente desafiador para investimentos, tanto pelo avanço das despesas obrigatórias quanto pelo calendário eleitoral. A fila de concessão de benefícios previdenciários e assistenciais também deve pressionar ainda mais o orçamento.
Para analistas como Jeferson Bittencourt e Marcus Pestana, o atual arcabouço fiscal cria um cenário de baixa margem para investimentos e um horizonte pouco promissor. O elevado custeio da máquina pública reduz a capacidade do país de financiar políticas essenciais, especialmente diante das grandes demandas sociais e estruturais, destaca a publicação.