Corregedoria prende PMs suspeitos de proteger dono da Transwolff ligado ao PCC
Ação cumpre mandados contra policiais militares acusados de atuar na segurança de empresário investigado por ligação com facção criminosa
A Corregedoria da Polícia Militar de São Paulo prendeu nesta quarta-feira, 4, pelo menos três policiais militares suspeitos de prestar segurança ao dono da empresa de ônibus Transwolff, Luiz Carlos Efigênio Pacheco, conhecido como Pandora, investigado por suposta ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC). Os nomes dos PMs detidos não foram divulgados. As defesas dos envolvidos não foram localizadas até o momento; o espaço segue aberto para manifestações.
Ao todo, a operação cumpriu 16 mandados de busca e apreensão e três de prisão, conforme informou a Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP). A ação é resultado de uma investigação iniciada após o compartilhamento de provas de um processo que apura crimes de lavagem ou ocultação de bens, direitos ou valores, em andamento na 2ª Vara de Crimes Tributários e Organização Criminosa da Capital.
De acordo com a SSP, os policiais militares teriam atuado na segurança pessoal e patrimonial de Pandora, apontado como integrante do PCC e alvo da Operação Fim da Linha.
"A análise do material apontou participação direta de policiais militares na gerência e na execução da segurança das empresas", informou a SSP, referindo-se à Transwolff e à UPBus, ambas investigadas por envolvimento com o PCC nos anos de 2020 e 2024.
As empresas de transporte público são suspeitas de lavar recursos ilícitos provenientes de crimes como tráfico de drogas e roubos, segundo a SSP. As concessionárias transportavam diariamente milhões de passageiros na capital paulista, enquanto as atividades irregulares passavam despercebidas pelas autoridades.
As informações surgiram a partir dos desdobramentos da Operação Fim da Linha, deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo, por meio do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), em parceria com a Polícia Militar, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e a Receita Federal.