Justiça argentina solicita aos EUA extradição de Nicolás Maduro
Pedido de extradição é baseado em acusações de crimes de lesa humanidade cometidos durante o governo do líder venezuelano.
A Justiça da Argentina solicitou aos Estados Unidos a extradição do presidente venezuelano Nicolás Maduro para que ele seja interrogado em um processo que apura supostos crimes de lesa humanidade cometidos durante sua gestão. A medida, determinada pelo juiz federal Sebastián Ramos, deverá ser formalizada pela chancelaria argentina junto ao governo do presidente dos EUA, Donald Trump, conforme noticiado pela imprensa argentina.
Na decisão, o magistrado ordenou o envio de um pedido formal às autoridades americanas "a efeitos de solicitar a extradição de Nicolás Maduro Moros", fundamentando-se no tratado bilateral de extradição entre Argentina e Estados Unidos.
O caso teve início em 2023, após uma denúncia apresentada por organizações não governamentais em nome de cidadãos venezuelanos.
A investigação envolve acusações de detenções ilegais, tortura, perseguição política e outros abusos contra opositores e manifestantes durante protestos na Venezuela. Também são investigados o ex-comandante da Guarda Nacional Bolivariana, Justo José Noguera Pietri, e o ministro do Interior venezuelano, Diosdado Cabello.
Segundo os denunciantes, existe na Venezuela um "plano sistemático de repressão" em vigor desde 2014, incluindo desaparecimentos forçados, tortura, homicídios e perseguição a dissidentes. Com base nessas alegações, a Justiça argentina já havia determinado, em setembro de 2024, a captura internacional de Maduro e dos demais acusados.
Após a confirmação da detenção de Maduro durante uma operação militar dos Estados Unidos em território venezuelano, em 3 de janeiro, o procurador federal Carlos Stornelli solicitou que a Argentina formalizasse o pedido de extradição do ex-presidente para que ele seja ouvido no processo. O juiz Sebastián Ramos acolheu o pedido.
A Argentina fundamenta sua atuação no princípio da jurisdição universal para investigar crimes de lesa humanidade cometidos fora de seu território. O país tem histórico nesse tipo de iniciativa, embora a maioria das ações contra líderes estrangeiros não tenha resultado em detenções ou extradições.
A decisão ocorre em meio a uma aproximação política entre o governo do presidente argentino, Javier Milei, e o governo Trump, após declarações de apoio de Milei à intervenção norte-americana na Venezuela.
Com informações da Associated Press