TCU pode exigir explicações do governo sobre cortes em agências reguladoras
Tribunal de Contas da União discute obrigatoriedade de justificativa robusta para congelamento de verbas destinadas às agências reguladoras, buscando maior transparência e previsibilidade.
O Tribunal de Contas da União (TCU) avalia a possibilidade de obrigar o governo federal a apresentar uma fundamentação robusta antes de qualquer contingenciamento — ou seja, congelamento — de recursos orçamentários das agências reguladoras.
O tema foi debatido em auditoria durante a reunião desta quarta-feira, 4, mas ainda não houve uma conclusão do processo no plenário.
O presidente da Corte de Contas, Vital do Rêgo, ressaltou que o Tribunal não pretende "blindar" as agências em situações de limitação de empenhos e movimentações financeiras.
A proposta, segundo a argumentação apresentada, busca garantir previsibilidade e transparência na destinação dos recursos dessas entidades. Para Vital do Rêgo, a autonomia financeira das agências não pode ser "letra morta".
No ano passado, o Congresso Nacional tentou preservar o orçamento das agências reguladoras em casos de bloqueio ou contingenciamento de verbas.
Entretanto, ao sancionar a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO 2026), o governo vetou esse dispositivo. A discussão não é nova e já esteve presente em projetos de lei que visam recompor o orçamento dessas autarquias.
Nos últimos anos, observa-se uma trajetória de queda nos recursos destinados às agências reguladoras. Um levantamento realizado pela Broadcast em 2025, com base em dados do Sistema Integrado de Planejamento e Orçamento (Siop), aponta que dez das onze agências federais foram afetadas por cortes de verbas na última década, com uma redução de até 65% em determinados casos.