MEIO AMBIENTE

Milhares de camarões são encontrados mortos no Rio Tietê

Mortandade inédita de pitus em Igaraçu do Tietê mobiliza autoridades ambientais e acende alerta sobre poluição no rio.

Publicado em 04/02/2026 às 18:47
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

Milhares de camarões de água doce foram encontrados mortos e se acumularam em uma prainha do Rio Tietê, em Igaraçu do Tietê, interior de São Paulo. O fenômeno teve seu pico no fim da tarde de segunda-feira, 2, mas ainda havia registros de mortes entre terça e quarta-feira, 4. A Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) enviou equipes ao local para coletar amostras da água e dos camarões, que agora passam por análise laboratorial.

Segundo Juarez Sbeghen, responsável pelo setor de fiscalização do município, os pitus, como são conhecidos os camarões de água doce, começaram a se acumular na prainha por volta das 17h de segunda-feira. “Já havíamos presenciado mortandade de peixes, o que infelizmente é recorrente, mas de camarões nunca havia acontecido. Técnicos da Secretaria do Meio Ambiente e da Cetesb estão apurando as causas”, afirmou.

Inicialmente, os camarões mortos apareceram apenas na prainha, mas logo foram encontrados também ao longo das margens do rio. “Só na prainha, recolhemos dois caminhões de camarão misturado com areia. Todo o material foi encaminhado ao aterro sanitário de Barra Bonita, conforme orientação da Cetesb”, explicou Sbeghen.

O Grupo Macrófitas, composto por representantes da sociedade civil, operadores de barcos e especialistas, criado para discutir a poluição na região de Barra Bonita, também acompanha o caso. “Chama a atenção que houve apenas mortandade de camarões, e apenas na Praia de Igaraçu, sem afetar outras espécies”, destacou o grupo em nota.

De acordo com o Macrófitas, a mortandade pode estar relacionada à poluição orgânica, redução do oxigênio dissolvido na água, eutrofização, descargas químicas ou variações ambientais bruscas. “Esses eventos refletem a fragilidade do ecossistema e evidenciam a necessidade de controle rigoroso das fontes de poluição e de uma gestão integrada do rio”, alertou a entidade.

A Cetesb informou que vistoriou a prainha na tarde de terça-feira, 3, logo após receber a denúncia, e coletou amostras para análise. A agência investiga as possíveis causas da mortandade e orienta a população a evitar pesca e banho no local até a conclusão das análises.

A prainha fica próxima à barragem da hidrelétrica de Barra Bonita. A operadora da barragem, Auren Energia, declarou não haver relação entre a manutenção preventiva da eclusa da usina e o aparecimento dos camarões mortos. Mesmo sem conexão operacional, a empresa comunicou o ocorrido à Cetesb e se colocou à disposição para colaborar com as investigações.

O camarão de água doce do gênero Macrobrachium, conhecido como pitu, possui sabor semelhante ao do camarão marinho. A espécie, nativa das regiões lacustres do sudeste dos Estados Unidos, ocorre até o sul do Brasil, sendo comum em águas correntes.