MERCADO FINANCEIRO

Ibovespa registra maior queda diária desde dezembro com ajuste em ações de bancos

Índice recua 2,14% após balanço do Santander e correção no setor bancário; apenas sete ações fecham em alta.

Publicado em 04/02/2026 às 18:57
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

No dia seguinte à renovação de recordes, o Ibovespa registrou nesta quarta-feira, 4, sua maior queda diária desde 16 de dezembro, pressionado principalmente pelo ajuste nas ações dos grandes bancos. O índice ameaçou repetir o cenário do chamado "Flávio Day", quando, em 5 de dezembro, despencou 4,31% após renovar máxima histórica intradiária. Nesta quarta, o recuo chegou a se aproximar de 3% durante o pregão.

Com a melhora de Vale ON (+0,49%) próximo ao fechamento, o Ibovespa reduziu as perdas e encerrou o dia em baixa de 2,14%, aos 181.708,23 pontos. Na mínima, chegou a 180.268,54 pontos, uma diferença superior a 5 mil pontos em relação à máxima do dia, de 185.670,99.

Foi o maior recuo diário desde 16 de dezembro, quando caiu 2,40%. O volume financeiro segue elevado na B3, atingindo R$ 37 bilhões, reflexo do aumento do interesse de investidores estrangeiros e da rotação de ativos dos Estados Unidos para o Brasil. Após a realização de lucros desta quarta, o Ibovespa limita o avanço semanal a 0,19%, mesmo percentual acumulado em fevereiro. No ano, a alta é de 12,77% e, em 12 meses, chega a 45,20%.

Entre os grandes bancos, as ações do Santander Unit caíram 2,70% após a divulgação do balanço do quarto trimestre de 2025, que abriu a temporada de resultados. Itaú PN, principal papel do setor, recuou 3,29% — o banco divulga seus números após o fechamento do pregão. Já Bradesco PN cedeu 3,23%. As gigantes das commodities demonstraram maior resiliência, com destaque para Vale ON, que conseguiu se descolar do movimento negativo. Petrobras recuou 0,57% na ON e 0,16% na PN.

Entre as 85 ações do Ibovespa, apenas sete encerraram o dia em alta, com Braskem (+1,95%), Porto Seguro (+1,51%), Rumo (+1,33%) e Suzano (+1,04%) liderando os ganhos. No lado oposto, Raízen (-13,27%), Totvs (-12,89%), Hypera (-10,30%) e Cogna (-6,91%) figuraram entre as maiores quedas.

Segundo Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos, os resultados do Santander deram início a uma correção em todo o setor financeiro, influenciando outros segmentos e sinalizando uma "exaustão" após o forte rali do mercado acionário brasileiro. "Outros papéis importantes do índice, como Petrobras, também apresentaram recuo, ainda que mais moderado, em um movimento de correção apesar da alta das commodities na sessão", avalia.

No cenário internacional, a cautela predominou nas bolsas de Nova York, com foco nos resultados das empresas de tecnologia, que seguem sob escrutínio desde o fim do ano passado diante das dúvidas sobre uma possível bolha de inteligência artificial. O Nasdaq fechou em baixa de 1,51%, à frente do S&P 500 (-0,51%), enquanto o Dow Jones subiu 0,53%.

"Há um movimento técnico em andamento nos mercados dos Estados Unidos e, embora a diversificação para emergentes como o Brasil represente uma fatia pequena do portfólio global, o fluxo é significativo para a Bolsa brasileira", afirma Higor Rabelo, especialista e sócio da Valor Investimentos. Ele acredita que a rotação global de ativos tende a continuar favorecendo o ingresso de recursos na B3.