Vídeo mostra adolescente investigado voltando ao condomínio no dia da morte do cão Orelha
Imagens de câmeras de segurança contradizem depoimento do jovem, que alegou estar no condomínio durante o crime. Polícia pediu internação do adolescente e indiciou adultos por coação de testemunhas.
A Polícia Civil de Santa Catarina concluiu, nesta terça-feira (3), as investigações sobre a morte do cão Orelha, um cachorro comunitário de Florianópolis que morreu após ser agredido na Praia Brava, no início de janeiro. Os agentes tiveram acesso a imagens que contradizem o depoimento de um adolescente apontado como responsável pelo crime.
As apurações foram conduzidas pela Delegacia Especializada no Atendimento de Adolescentes em Conflito com a Lei (DEACLE) e pela Delegacia de Proteção Animal (DPA). Com base nas evidências, a polícia pediu a internação do adolescente e indiciou três adultos por coação de testemunhas.
De acordo com a Polícia Civil, o adolescente deixou o condomínio onde mora às 5h25 e retornou ao local às 5h58, acompanhado de uma amiga. Imagens de câmeras de segurança registraram a saída e o retorno do jovem.
A investigação aponta que o adolescente desconhecia a existência dessas imagens e afirmou, em depoimento, que permaneceu no condomínio, na piscina, durante o período do crime. Entretanto, além das gravações, testemunhas e outras evidências confirmaram que ele esteve fora do condomínio naquele momento.
Em nota, os advogados Alexandre Kale e Rodrigo Duarte, que representam o jovem, alegaram que as informações divulgadas tratam de "elementos circunstanciais" e não constituem provas definitivas. A defesa também ressaltou que ainda não teve acesso integral aos autos da investigação e afirmou que o caso está "politizado".
Durante a apuração, os policiais analisaram cerca de mil horas de gravações, ouviram 24 testemunhas e utilizaram um software francês para mapear a localização do adolescente.
O ataque ao cão Orelha ocorreu na madrugada de 4 de janeiro, por volta das 5h30, na Praia Brava. Segundo laudos da Polícia Científica, o animal sofreu uma pancada contundente na cabeça, possivelmente causada por um chute ou por um objeto rígido, como um pedaço de madeira ou uma garrafa. Orelha foi resgatado por populares no dia seguinte, mas não resistiu aos ferimentos e morreu em uma clínica veterinária.
No mesmo dia em que a Polícia Civil identificou os suspeitos, o adolescente viajou para os Estados Unidos, retornando apenas em 29 de janeiro. Ele e outro jovem investigado tiveram celulares e roupas apreendidos ao desembarcarem no Aeroporto Internacional de Florianópolis.
Segundo a polícia, um familiar tentou esconder um boné rosa e um moletom usados pelo adolescente no dia do crime. Apesar da tentativa de justificar a compra do moletom durante a viagem, o próprio jovem admitiu que já possuía a peça.
A Polícia Civil afirmou que a investigação seguiu os parâmetros do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e foi concluída após o depoimento do autor nesta semana.
"Diante dos elementos e provas, a Polícia Civil finalizou os procedimentos policiais dos casos Orelha e Caramelo e encaminhou para apreciação do Ministério Público e Judiciário. Pela gravidade do caso Orelha, foi solicitada a internação do adolescente, medida equivalente à prisão de adultos. Com a conclusão da análise dos dados dos celulares apreendidos, os elementos probatórios já obtidos serão corroborados e poderão surgir novas informações sobre o caso", informou a polícia.