EUA propõem bloco de minerais críticos para competir com China
Iniciativa visa diversificar cadeias de suprimento e reduzir dependência global dos minerais chineses
Washington propôs nesta quarta-feira (4) a criação de um bloco de países aliados para garantir o fornecimento de minerais críticos e diminuir a dependência global da China desses insumos estratégicos para a indústria tecnológica e de defesa.
"Queremos que os membros formem um bloco comercial entre aliados e parceiros, que assegure o acesso dos EUA aos recursos necessários para seu poder industrial", afirmou o vice-presidente JD Vance durante uma reunião ministerial realizada pelo Departamento de Estado.
O encontro reuniu representantes de 55 países, incluindo México, Japão e a União Europeia. Os Estados Unidos sugerem ampliar a produção e diversificar as cadeias de suprimento por meio de novos investimentos e acordos de cooperação internacional.
O secretário de Estado, Marco Rubio, alertou que a concentração do fornecimento desses minerais em um único país representa "um risco geopolítico" e "uma possível ferramenta de pressão".
A Casa Branca já adota medidas para incentivar a produção doméstica de terras raras, essenciais para tecnologias como smartphones, veículos elétricos e sistemas de defesa. Segundo o Financial Times, empresas como MP Materials, USA Rare Earth e Lynas tiveram suas ações valorizadas, refletindo o apoio governamental e o cenário de urgência geopolítica.
O movimento também beneficia mineradoras de outros metais críticos, como lítio, cobalto e germânio. Recentemente, os EUA adquiriram participações em empresas canadenses como Lithium Americas e Trilogy Metals, cujas ações dispararam após os anúncios. O plano inclui ainda a criação de uma reserva estratégica e um piso de preço para proteger o mercado da volatilidade.
Para acelerar a produção, o governo flexibilizou regras ambientais e agilizou licenças, adotando a política "mine, baby, mine" (minere, meu bem, minere) — uma adaptação da expressão utilizada por Trump para estimular a exploração de petróleo.
As tensões com a China se intensificaram após Pequim impor novos controles de exportação, exigindo aprovação prévia para enviar ímãs com terras raras ao exterior.
Minerais como lítio, alumínio e zinco são vitais para baterias, semicondutores e tecnologias estratégicas. A China domina globalmente a cadeia de terras raras, respondendo por cerca de 70% da extração, mais de 90% do refino e 93% da fabricação de ímãs permanentes.