Juros atuais sustentam emprego enquanto inflação tende a ceder, diz vice-presidente do Fed
Philip Jefferson reforça que política monetária dos EUA equilibra combate à inflação e apoio ao mercado de trabalho
O vice-presidente do Federal Reserve (Fed), Philip Jefferson, afirmou nesta sexta-feira, 6, que o atual patamar da taxa de juros nos Estados Unidos pode sustentar o mercado de trabalho enquanto a inflação tende a ceder. Segundo Jefferson, a política monetária está calibrada para equilibrar os dois principais objetivos do banco central americano: o controle da inflação e o suporte ao emprego.
Durante uma sessão de perguntas e respostas após discurso na Brookings Institution, Jefferson destacou que não deseja ver "nenhum enfraquecimento adicional no mercado de trabalho". Ele reconheceu que a criação de empregos tem sido mais fraca do que o desejado nos últimos meses.
O dirigente atribuiu a moderação no ritmo de geração de vagas a fatores tanto de demanda quanto de restrições do lado da oferta. De acordo com Jefferson, parte da desaceleração do mercado de trabalho está relacionada ao menor crescimento da força de trabalho, especialmente devido à redução da imigração.
Jefferson também ressaltou diferenças entre os setores privado e público na criação de empregos. Apesar do arrefecimento dos números agregados, ele observou que o desempenho do setor privado difere do setor público, o que contribui para a perda de fôlego recente nos dados gerais de emprego.
Sobre atrasos na divulgação de indicadores econômicos, provocados pelo recente shutdown do governo federal, Jefferson afirmou que isso "não impede o trabalho do Fed". Ele ressaltou que a instituição dispõe de um amplo conjunto de informações alternativas, como dados agrupados pelos próprios Estados, para avaliar as condições econômicas.
No campo dos preços, o vice-presidente do Fed reiterou que as expectativas de inflação seguem bem ancoradas, o que, em sua avaliação, demonstra a credibilidade da autoridade monetária em relação à meta estabelecida.
Jefferson acrescentou que, uma vez que "o impacto das tarifas sobre bens se propague completamente", a inflação cheia deve arrefecer, reforçando a percepção de que o choque inflacionário causado por tarifas tende a ser temporário.
Segundo ele, esse conjunto de fatores permite ao Fed adotar uma postura que apoie o mercado de trabalho, ao mesmo tempo em que acompanha a continuidade do processo de desinflação.