Ouro encerra semana em alta, impulsionado por tensões geopolíticas e dados econômicos
Metal precioso avança quase 5% na semana, apoiado por incertezas globais e expectativas sobre juros nos EUA
O ouro fechou a sexta-feira, 6, em alta, recuperando perdas recentes, diante do aumento das incertezas geopolíticas e macroeconômicas. O movimento foi impulsionado, principalmente, pela busca de ativos considerados seguros, em meio às negociações entre Estados Unidos e Irã, além das dúvidas persistentes sobre o cenário econômico global. A expectativa por novos indicadores americanos, que podem sinalizar os próximos passos do Federal Reserve (Fed), também influenciou o mercado. O enfraquecimento do dólar frente a outras moedas contribuiu para a valorização da commodity.
Na Comex, divisão de metais da bolsa de Nova York (Nymex), o ouro para abril encerrou o dia com alta de 1,84%, cotado a US$ 4.979,80 por onça-troy.
A prata para março também registrou avanço, subindo 0,23% e fechando a US$ 76,89 por onça-troy.
Na semana, o ouro acumulou valorização de 4,95%, enquanto a prata recuou 2,09%.
Pela manhã, autoridades do Irã e dos EUA participaram de conversas mediadas por Omã na tentativa de um acordo nuclear. Segundo o The Wall Street Journal, Teerã manteve a recusa em interromper o enriquecimento de combustível nuclear, sem mudanças de posição de ambos os lados. Paralelamente, o Departamento de Estado dos EUA anunciou novas sanções contra entidades iranianas, o que elevou a tensão geopolítica e deu suporte adicional aos preços do ouro.
O metal precioso também foi beneficiado pela fraqueza do dólar após a divulgação de dados econômicos dos EUA e declarações de dirigentes do Fed. O índice de sentimento do consumidor, medido pela Universidade de Michigan, superou as expectativas na prévia de fevereiro, enquanto a expectativa de inflação para um ano recuou. Os investidores ainda digerem dados fracos de emprego divulgados na quinta-feira e se preparam para o relatório de empregos (payroll) de janeiro, previsto para a próxima semana.
O presidente do Fed de Atlanta, Raphael Bostic, afirmou que o mercado de trabalho americano enfrenta "turbulências" devido a mudanças estruturais. Já o vice-presidente do Fed, Phillip Jefferson, destacou que não deseja ver mais fraqueza no setor.
De acordo com o Saxo Bank, os preços dos metais preciosos apresentaram forte volatilidade na semana e devem continuar oscilando intensamente até que o cenário se estabilize e a formação de preços se torne mais clara.