MERCADO FINANCEIRO

Dólar recua com influência externa e encerra semana em baixa de 0,52%

Moeda americana cai no Brasil em meio à valorização de commodities e expectativa sobre política monetária dos EUA

Publicado em 06/02/2026 às 18:42
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

O dólar registrou uma queda significativa no mercado doméstico nesta sexta-feira, 6, acompanhando o movimento global de desvalorização da moeda americana, a recuperação dos preços das commodities e o aumento do apetite por ativos de risco. Analistas destacam que o real teve desempenho positivo mesmo diante de oscilações do dólar no exterior ao longo da semana, em meio a sinais contraditórios da economia dos Estados Unidos e à indicação do ex-diretor do Federal Reserve, Kevin Warsh, para a presidência do Banco Central americano.

A avaliação predominante é de que o real pode continuar se beneficiando, nas próximas semanas, do movimento global de diversificação, com investidores reduzindo a exposição a ativos denominados em dólar. Apesar do início do ciclo de cortes da taxa Selic pelo Comitê de Política Monetária (Copom) a partir de março, os juros no Brasil devem permanecer em patamares elevados, o que desestimula a manutenção de posições em dólar.

Com mínima de R$ 5,2058, o dólar à vista fechou cotado a R$ 5,2204, recuando 0,63% no dia. A moeda encerra a primeira semana de fevereiro com baixa acumulada de 0,52%, após queda de 4,40% em janeiro — a maior desvalorização mensal desde junho de 2025, quando cedeu 4,99%.

Para Otávio Oliveira, gerente de tesouraria do Daycoval, há uma "equalização" do fluxo estrangeiro que impulsionou o Ibovespa a sucessivos recordes e valorizou o real em janeiro. "Não temos perspectivas de entradas como as que estávamos vendo. Parece que o dólar encontrou um suporte mais forte na faixa dos R$ 5,20", avalia Oliveira.

No exterior, o índice DXY — que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de seis moedas fortes — operou em leve baixa nesta sexta-feira, rondando 97,640 pontos no fim da tarde, mas fechou a semana com alta de cerca de 0,50%. A migração de posições em dólar para metais e ativos emergentes teve oscilações desde a indicação de Warsh por Donald Trump.

"A indicação de Warsh para o comando do Fed a partir de maio trouxe volatilidade ao mercado, devido ao seu histórico mais rigoroso no combate à inflação, o que foi interpretado como um possível obstáculo à continuidade dos cortes nos juros americanos", explica André Valério, economista sênior do banco Inter. "Isso resultou em valorização global do dólar no início da semana e, juntamente com o movimento de aversão ao risco que atingiu principalmente as commodities metálicas, elevou a volatilidade das moedas emergentes, como o real."

Economistas da Armor Capital observam que, além da indicação de Warsh ao Fed, investidores assimilaram ao longo da semana indicadores americanos que mostraram uma "dicotomia entre a atividade ainda resiliente e um mercado de trabalho em processo de arrefecimento".

O índice de atividade industrial, elaborado pelo Instituto para Gestão da Oferta (ISM), subiu de 47,9 em dezembro para 52,6 em janeiro, superando as expectativas dos analistas. Por outro lado, os relatórios de emprego ADP e Jolts apresentaram resultados fracos.

"Essa descorrelação entre os indicadores de atividade e emprego elevou a volatilidade dos preços dos ativos, com as commodities metálicas devolvendo parte dos ganhos acumulados em janeiro", destacam os economistas da Armor.

Valério, do Inter, ressalta que os sinais de enfraquecimento do mercado de trabalho aumentaram a expectativa para a divulgação, no próximo dia 11, do relatório de emprego (payroll) de janeiro. "Se o mercado de trabalho continuar a se deteriorar, aliado a uma inflação controlada, pode haver uma moderação no tom do FOMC (comitê de política monetária do Fed), abrindo espaço para a retomada dos cortes de juros em março", analisa o economista sênior.