Tensão cresce entre Colômbia e Equador com novas tarifas e ação judicial
Bogotá anuncia medidas em resposta à imposição de tarifas equatorianas e levará disputa à Comunidade Andina
O governo colombiano anunciou nesta sexta-feira (6) que apresentará uma ação contra o Equador na Comunidade Andina de Nações e irá elevar as tarifas alfandegárias sobre produtos equatorianos.
A medida é uma resposta à decisão de Quito de manter tarifas de 30% sobre produtos colombianos, contrariando acordos comerciais regionais, conforme informou a chancelaria da Colômbia.
"Diante dessa situação, o governo da Colômbia se vê obrigado a expedir o decreto de tarifas de resposta por razões de segurança nacional, cuja assinatura havia sido adiada à espera de acordos mais imediatos. Da mesma forma, hoje será apresentada a ação perante a Comunidade Andina de Nações pelo descumprimento, por parte do Equador, do que foi pactuado no Acordo de Cartagena, assinado em 26 de maio de 1969", informou o órgão em comunicado.
Em 21 de janeiro, o governo do presidente equatoriano Daniel Noboa impôs a tarifa de 30% sobre produtos colombianos, alegando falta de cooperação de Bogotá no combate ao narcotráfico e à criminalidade transnacional.
A Colômbia reagiu com medidas recíprocas, incluindo a suspensão das vendas de eletricidade ao Equador, que depende parcialmente desse fornecimento.
As tarifas de 30% passaram a valer no último domingo (1º), impactando significativamente o Equador, já que 60% dos US$ 1,993 bilhão (cerca de R$ 10 bilhões) importados da Colômbia são matérias-primas, máquinas e insumos industriais. O aumento no custo desses bens estratégicos tende a elevar os custos de produção e reduzir a competitividade das indústrias equatorianas.
Por outro lado, as exportações equatorianas, que somam cerca de US$ 950 milhões por ano (R$ 4,96 bilhões), também enfrentam riscos no mercado colombiano. Produtos como atum, pescado e madeira devem perder espaço devido à nova tarifa de 30%.
Segundo a Câmara de Comércio Binacional (Camecol), o cenário pode reduzir a rentabilidade, o emprego formal e ainda incentivar o contrabando e o comércio informal nas regiões de fronteira, devido à diferença de preços provocada pelas novas tarifas.