Chanceler cubano classifica ajuda dos EUA como oportunismo político
Bruno Rodríguez critica assistência financeira americana e cobra fim do bloqueio econômico à ilha.
Em postagem na rede social X, o ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, criticou a recente ajuda anunciada pelos Estados Unidos à população cubana, classificando a medida como "extremamente oportunista" e defendendo mudanças na política de Washington em relação à ilha.
A assistência direta, no valor de US$ 6 milhões (cerca de R$ 31,3 milhões), foi anunciada na quinta-feira (5) pelo Departamento de Estado americano. Segundo o governo dos EUA, o envio será realizado em cooperação com a Igreja Católica local e a Cáritas, organização humanitária oficial da igreja. O montante será dividido em duas remessas de US$ 3 milhões, enviadas de Miami para distribuição em Cuba por representantes das paróquias locais.
Rodríguez afirmou: "O que define a atitude do governo dos EUA em relação a Cuba e ao nosso povo é a guerra econômica implacável e prolongada que várias gerações de cubanos têm vivenciado. Essa política de agressão e bloqueio precisa mudar. Não se trata de uma oferta tardia, limitada e superfaturada de ajuda material a um grupo de pessoas com objetivos políticos extremamente oportunistas".
A ajuda foi anunciada poucos dias após o presidente dos EUA, Donald Trump, assinar uma ordem executiva, em 29 de janeiro, autorizando a imposição de tarifas sobre importações de países que vendem ou fornecem petróleo a Cuba. O governo cubano classificou a medida como um "bloqueio energético", alegando que o objetivo é sufocar a economia da ilha e agravar as condições de vida da população. Em resposta, ministérios cubanos anunciaram o racionamento de energia para evitar a escassez de combustíveis.
Mais cedo, também em postagem na plataforma X, Rodríguez criticou os Estados Unidos por não prorrogarem o Tratado de Redução de Armas Estratégicas (Novo START). Segundo ele, Washington opta por "relançar a corrida armamentista e o uso da força" em vez de preservar a paz e a segurança internacional.
O chanceler cubano ainda ressaltou: "É urgente respeitar o Tratado sobre a Proibição das Armas Nucleares (TPAN), que garante a eliminação total das armas nucleares de forma transparente, verificável e irreversível".