Irã impõe mais 7 anos de prisão à Nobel da Paz Narges Mohammadi
Ativista, símbolo da luta pelos direitos humanos, é condenada após iniciar greve de fome; advogado detalha sentenças e restrições
A ativista iraniana e ganhadora do Prêmio Nobel da Paz, Narges Mohammadi, foi condenada a mais de sete anos de prisão pelo Irã, segundo informações de seu advogado e apoiadores divulgadas neste domingo. A nova sentença ocorre logo após Mohammadi iniciar uma greve de fome, intensificando o alerta internacional sobre sua situação.
O anúncio da condenação coincide com um momento delicado da política externa iraniana, em que o país negocia com os Estados Unidos sobre seu programa nuclear, em meio a ameaças do então presidente Donald Trump. O principal diplomata iraniano afirmou que a força do país reside em sua capacidade de "dizer não às grandes potências", reforçando uma postura inflexível após conversas em Omã com autoridades norte-americanas.
De acordo com o advogado Mostafa Nili, Mohammadi foi sentenciada a seis anos de prisão por "reunião e conluio", um ano e meio por "propaganda contra o Estado" e está proibida de viajar por dois anos. Além disso, ela deverá cumprir dois anos de exílio interno na cidade de Khosf, a cerca de 740 quilômetros ao sudeste de Teerã.
O governo iraniano ainda não reconheceu oficialmente a sentença. Os apoiadores de Mohammadi informam que ela está em greve de fome desde 2 de fevereiro. Sua prisão ocorreu em dezembro, durante uma cerimônia em homenagem ao advogado e defensor dos direitos humanos Khosrow Alikordi, em Mashhad. Imagens do evento mostram Mohammadi exigindo justiça para Alikordi e outros ativistas.
Mohammadi, símbolo da resistência dos ativistas iranianos
Antes de sua detenção em dezembro, já havia alertas de que Mohammadi, de 53 anos, poderia ser presa novamente, mesmo após receber uma licença médica temporária no fim de 2024. Embora a licença previsse apenas três semanas fora da prisão, sua liberdade foi estendida, possivelmente devido à pressão de ativistas e governos ocidentais. Ela permaneceu em liberdade durante o conflito de 12 dias entre Irã e Israel, em junho.
Durante esse período, Mohammadi manteve sua atuação pública, participando de protestos e concedendo entrevistas à mídia internacional, incluindo uma manifestação em frente à prisão de Evin, em Teerã, onde já esteve detida.
O advogado Mostafa Nili confirmou que a sentença foi proferida no sábado por um Tribunal Revolucionário em Mashhad. Mohammadi já cumpria pena de 13 anos e nove meses por conspiração contra a segurança do Estado e propaganda contra o governo iraniano. Ela também apoiou os protestos de 2022, desencadeados pela morte de Mahsa Amini, quando mulheres desafiaram o uso obrigatório do hijab.
Segundo seus apoiadores, Mohammadi sofreu vários ataques cardíacos enquanto estava presa, sendo submetida a uma cirurgia de emergência em 2022. No fim de 2024, médicos identificaram uma lesão óssea suspeita de câncer, posteriormente removida.
"Considerando suas condições de saúde, espera-se que ela seja temporariamente libertada sob fiança para receber tratamento médico adequado", afirmou Nili.
Apesar disso, as autoridades iranianas vêm adotando uma postura cada vez mais rígida contra dissidentes desde as últimas manifestações populares.