CONFLITO NO ORIENTE MÉDIO

Israel amplia poderes e assentamentos na Cisjordânia; presidente palestino denuncia anexação

Governo israelense revoga restrições e amplia controle sobre áreas palestinas, gerando críticas e alerta internacional.

Por Sputnik Brasil Publicado em 08/02/2026 às 17:50
Israel amplia assentamentos na Cisjordânia e presidente palestino denuncia tentativa de anexação. © AP Photo / Mahmoud Illean

Medidas adotadas por Israel revogam regulamentos que impediam a compra de terras na Cisjordânia por colonos judeus e ampliam a supervisão do governo israelense em regiões sob administração palestina.

O gabinete de segurança de Israel aprovou neste domingo (8) uma série de iniciativas que facilitam a aquisição de propriedades por colonos judeus na Cisjordânia ocupada, além de conceder às autoridades israelenses mais poderes de fiscalização sobre as comunidades palestinas.

A Cisjordânia é uma das áreas reivindicadas pelos palestinos para a criação de um futuro Estado independente. Atualmente, grande parte do território permanece sob controle militar israelense, enquanto a Autoridade Palestina (AP) administra algumas regiões com autonomia limitada.

Segundo declarações dos ministros israelenses das Finanças, Bezalel Smotrich, e da Defesa, Israel Katz, divulgadas por veículos de imprensa locais, as novas medidas incluem a revogação de normas que anteriormente impediam cidadãos judeus de adquirir terras na Cisjordânia.

Além disso, as autoridades israelenses passam a administrar determinados locais religiosos e a expandir a fiscalização sobre áreas sob responsabilidade da Autoridade Palestina, especialmente em questões ambientais, crimes relacionados à água e proteção de sítios arqueológicos.

O presidente palestino, Mahmoud Abbas, classificou as medidas como perigosas, ilegais e equivalentes a uma anexação de fato. As mudanças entram em vigor três dias antes do encontro previsto entre o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em Washington.

Em sua declaração, Abbas pediu a intervenção de Trump e do Conselho de Segurança da ONU (CSNU) diante da situação.

Apesar de Trump ter descartado publicamente a anexação da Cisjordânia por Israel, seu governo não atuou para conter o avanço dos assentamentos israelenses, que, segundo os palestinos, inviabilizam a criação de um Estado ao reduzir seu território.

Netanyahu, que enfrentará eleições ainda este ano, considera a criação de um Estado palestino uma ameaça à segurança de Israel. Sua coalizão é composta majoritariamente por membros favoráveis à colonização e à anexação da Cisjordânia.

O mais alto tribunal das Nações Unidas afirmou, em parecer consultivo não vinculante de 2024, que a ocupação israelense e os assentamentos nos territórios palestinos são ilegais e devem ser encerrados o quanto antes. Israel, por sua vez, contesta essa posição.