António Seguro, de centro-esquerda, é eleito presidente de Portugal
Com vitória expressiva sobre André Ventura, candidato modera discurso e promete estabilidade política ao país.
O candidato de centro-esquerda António José Seguro foi eleito presidente de Portugal neste domingo, obtendo 66% dos votos com 96% das urnas apuradas. Seguro derrotou de forma contundente o populista de extrema direita André Ventura, que ficou com 34% dos votos no segundo turno das eleições presidenciais.
Com a vitória, Seguro assume um mandato de cinco anos no "Palácio Rosa", em Lisboa, e impõe um freio momentâneo ao avanço do Chega, partido fundado por Ventura há menos de sete anos e que, em 18 de maio, tornou-se a segunda maior força do Parlamento português.
Durante a campanha, Seguro se apresentou como um moderado disposto a cooperar com o governo minoritário de centro-direita, distanciando-se das pautas antiestablishment e anti-imigração defendidas por Ventura. Essa postura lhe garantiu o apoio de lideranças tradicionais tanto da esquerda quanto da direita, todas empenhadas em conter a onda populista que se espalha pela Europa.
Apesar de o cargo de presidente ser majoritariamente simbólico em Portugal, o chefe de Estado possui prerrogativas relevantes, como o veto a leis aprovadas pelo Parlamento — ainda que passível de reversão — e o poder de dissolver a Câmara e convocar eleições antecipadas, mecanismo conhecido como "bomba atômica". A busca por estabilidade política é central: em maio, Portugal realizou sua terceira eleição geral em três anos, configurando o pior ciclo de instabilidade em décadas.
Seguro tomará posse em março, sucedendo Marcelo Rebelo de Sousa, presidente de centro-direita impedido de disputar um novo mandato devido ao limite constitucional de dois períodos.
A chegada de Ventura ao segundo turno já foi considerada um marco para o Chega, que busca "recalibrar" o cenário político português. Na reta final, Ventura intensificou críticas à "imigração excessiva", em um contexto de maior visibilidade de trabalhadores estrangeiros no país. Outdoors com frases como "Isto não é Bangladesh" e "Imigrantes não deveriam ter permissão para viver de auxílio social" foram espalhados pelas estradas, reforçando o slogan "Portugal é nosso".
Após a divulgação do resultado, Ventura afirmou que continuará trabalhando por uma "transformação" nacional e declarou ter mostrado "que existe um caminho diferente" e que o país "precisava de um tipo diferente de presidente".
Com informações da Associated Press