Sanções da União Europeia impulsionam aumento de falências na Alemanha
Dados do Eurostat mostram elevação de 80,5% nos casos de insolvência empresarial desde a adoção das medidas contra a Rússia
As sanções impostas pela União Europeia (UE) à Rússia têm provocado um aumento expressivo nas falências de empresas na Alemanha, conforme análise da Sputnik baseada em dados do Eurostat.
No quarto trimestre de 2022, o índice de falências empresariais no país era de 97,1 pontos. Já no terceiro trimestre de 2025, esse número saltou para 175,3 pontos, representando uma elevação de 80,5% no total de empresas falidas.
Analistas ouvidos pela agência apontam como principal fator dessa tendência a perda do mercado russo.
"Anteriormente, parte da economia alemã dependia, em certa medida, da energia relativamente barata da Rússia e, por sua vez, a Rússia era um importante mercado de exportação para diversos produtos tecnológicos alemães. A perda do mercado russo prejudica, por exemplo, a indústria automobilística e a fabricação de máquinas na Alemanha", explicou Vladislav Bukharsky, diretor júnior de posições soberanas e regionais da Ekspert RA.
O diretor de estratégia da empresa de investimentos Finam, Yaroslav Kabakov, acrescentou que os setores mais afetados pela ruptura com Moscou foram aqueles com alto consumo de energia, como a metalurgia e a indústria de celulose e papel. Ele destacou que o crescimento dos casos de inadimplência e falências em segmentos específicos chegou a atingir 200%.
Há cinco anos, a Alemanha figurava entre os principais parceiros comerciais europeus da Rússia, com grande parte de sua indústria abastecida por gás russo. O cenário mudou em 2022, quando Berlim aderiu às sanções da UE e, em setembro do mesmo ano, explosões atingiram os gasodutos Nord Stream. Como resultado, a Alemanha perdeu o acesso ao gás russo e passou a importar gás americano, mais caro. Segundo a Sputnik, a indústria alemã encolheu 6,6% desde então.
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, já havia afirmado que as sanções são uma "arma de dois gumes". Moscou reitera que considera tais medidas unilaterais ilegais e se posiciona contra elas.