DoJ dos EUA divulga arquivos que mostram contatos e investimentos de Lutnick com Epstein após 2008
Secretário de Comércio dos EUA aparece em registros de negócios e encontros com Jeffrey Epstein anos após condenação do financista.
Documentos recentemente divulgados pelo Departamento de Justiça (DoJ) dos Estados Unidos apontam que Howard Lutnick, atual secretário de Comércio, manteve contatos pessoais e realizou investimentos empresariais em parceria com Jeffrey Epstein, mesmo após a condenação do financista, em 2008, por crimes de exploração sexual de menores na Flórida. As informações constam de um novo e amplo lote de arquivos liberados sob a Lei de Transparência dos Arquivos Epstein.
Na última sexta-feira, 6, o DoJ tornou públicos mais de 3 milhões de páginas de documentos, além de milhares de vídeos e imagens, atendendo a pressões políticas e sociais por maior transparência sobre o conhecimento do governo a respeito das atividades e conexões de Epstein com figuras influentes.
Entre os arquivos, destacam-se documentos societários da Adfin Solutions, empresa de tecnologia publicitária, que evidenciam a participação conjunta de Epstein e Lutnick em um investimento por meio de entidades sob seu controle. Registros de dezembro de 2012 mostram Epstein assinando pelo Southern Trust Company, Inc., enquanto Lutnick figura como presidente da CVAFH I LLC.
Os documentos incluem ainda e-mails e agendas que comprovam contato direto entre os dois. Um cronograma de abril de 2011 lista um compromisso para "drinks" em 1º de maio daquele ano. Em outra troca, assessores dos dois coordenam uma ligação telefônica, agendada para o início de abril de 2011.
Também foi identificado que, em 2017, Epstein enviou um e-mail comprometendo-se a doar US$ 50 mil para um jantar em homenagem a Lutnick, então executivo da Cantor Fitzgerald: "US$ 50 mil da minha parte, espero que a repercussão seja ok". Mensagens adicionais tratam da logística para entrega do cheque e participação no evento beneficente.
Em resposta, um porta-voz do Departamento de Comércio afirmou que Lutnick teve "interações limitadas com Epstein, sempre na presença de sua esposa, e nunca foi acusado de irregularidades". Os arquivos recém-divulgados mencionam dezenas de figuras políticas e empresariais, ressaltando que a presença de nomes nos documentos não implica, necessariamente, envolvimento em crimes. Segundo a Associated Press, o vice-procurador-geral Todd Blanche reconheceu que há uma "fome, ou sede, por informações" que pode não ser plenamente saciada, mesmo com a nova divulgação.