ECONOMIA GLOBAL

Galípolo afirma que Brasil é visto como proteção por menor dependência dos EUA

Presidente do BC destaca que diversificação de parceiros comerciais torna o país atrativo em meio a tensões tarifárias internacionais

Publicado em 09/02/2026 às 11:31
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, afirmou nesta segunda-feira (9) que o Brasil segue atraindo investimentos, mesmo diante das preocupações do mercado com as tarifas comerciais impostas pelo governo dos Estados Unidos. O motivo, segundo ele, é o fato de o país ser considerado uma economia menos exposta ao mercado norte-americano.

“O Brasil, por ser menos ‘lincado’ com os Estados Unidos e ter mais diversidade do ponto de vista dos seus parceiros comerciais e ser exportador de commodities, passou a ser visto como uma proteção numa eventual escalada tarifária e de guerra comercial”, destacou Galípolo durante evento promovido pela Associação Brasileira de Bancos (ABBC).

O presidente do BC ressaltou que é difícil para o investidor se desvencilhar de ativos norte-americanos, devido à valorização das ações negociadas em Nova York, impulsionada pela transformação da inteligência artificial, além do mercado de títulos públicos dos EUA ser muito superior a qualquer outro. No entanto, Galípolo observou que, atualmente, esses investimentos em ativos americanos têm ocorrido com maior hedge (proteção) diante de uma possível desvalorização do dólar, cenário que favorece os mercados emergentes.

Ele ainda ponderou que a indicação de Kevin Warsh para a presidência do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) contribuiu para reduzir a aversão ao risco nos mercados, ao trazer a percepção de uma condução técnica e preocupada com o dólar na autoridade monetária dos EUA.