REGULAÇÃO BANCÁRIA

Galípolo destaca lições do caso Master sobre equilíbrio entre ativos e passivos

Presidente do Banco Central ressalta importância de mecanismos de enforcement após liquidação extrajudicial do Banco Master.

Publicado em 09/02/2026 às 11:43
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo Reprodução

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta segunda-feira (9) que a liquidação extrajudicial do Banco Master trouxe importantes aprendizados para o sistema financeiro, especialmente quanto à necessidade de criar mecanismos de enforcement para assegurar o equilíbrio entre ativos e passivos nas instituições bancárias.

Durante evento promovido pela Associação Brasileira de Bancos (ABBC), em São Paulo, Galípolo explicou que a regulamentação vigente não impede os bancos de captarem recursos por meio de instrumentos com taxas superiores ao CDI. "Isso, por si só, não seria motivo para liquidar um banco", pontuou.

Segundo o presidente do BC, o principal problema do Master estava relacionado ao lado dos ativos. Ele lembrou que, ao longo de 2023, o banco passou a enfrentar questionamentos sobre sua credibilidade e dificuldades para manter as captações, o que acabou restringindo sua liquidez. "Não conseguir captar deveria afetar o crescimento, não a liquidez ou solvência de um banco", destacou.

No final de 2024, a diretoria de fiscalização do Banco Central convocou a gestão do Master para um termo de comparecimento, concedendo à instituição um prazo de seis meses para apresentar correções em liquidez, governança e patrimônio, conforme relatou Galípolo.

Já em janeiro de 2025, o diretor de fiscalização do BC, Ailton de Aquino Santos, passou a questionar as operações envolvendo carteiras do banco. "O normal, diante de dificuldades, seria vender ativos para reforçar a liquidez. O que chamou atenção foi a formação de novas carteiras nesse contexto", observou Galípolo.

Em fevereiro, foi criado um grupo específico para aprofundar as diligências sobre o caso. O Banco Master apresentou uma primeira versão do parecer de liquidez à diretoria de fiscalização, que, segundo Galípolo, "não encontrou evidências da existência das carteiras". "O diretor de fiscalização foi o primeiro a dar o cartão amarelo", concluiu.