Galípolo afirma que Banco Central agiu com rigor técnico ao liquidar Banco Master
Presidente do BC detalha processo de liquidação do Master e ressalta importância da transparência e da autonomia orçamentária.
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta segunda-feira (9) que a autoridade monetária realizou um trabalho de diligência bem fundamentado até decidir pela liquidação extrajudicial do Banco Master, ocorrida em novembro do ano passado.
Durante painel promovido pela Associação Brasileira de Bancos (ABBC), Galípolo explicou que, no momento da liquidação, o Master dispunha de apenas R$ 4 milhões em caixa, frente a mais de R$ 120 milhões em CDBs a pagar, valores que já não estavam cobertos pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC).
Segundo Galípolo, a partir de abril de 2023, o BC passou a atuar de forma coordenada com o FGC, impondo uma série de restrições. Nesse contexto, o FGC iniciou o pagamento integral de CDBs vencidos, sem custo adicional aos clientes.
"A captação líquida do Master coberta pelo FGC cai R$ 9,2 bilhões em 2025. A captação não coberta cai R$ 2 bilhões. E o aporte do acionista, seja em dinheiro ou em conversão de letras financeiras, ultrapassa R$ 2 bilhões", detalhou Galípolo. "Graças a esse trabalho conjunto com o FGC, foi possível conduzir um processo robusto de rejeição da compra pelo BRB Banco de Brasília e também votar pela liquidação do Master."
Para o presidente do BC, o caso do Master evidencia os desafios da regulação bancária, mesmo sem risco sistêmico no Brasil. Ele ressaltou que o Banco Central supervisiona hoje um número maior de instituições, apesar da redução de pessoal, e defendeu a necessidade de discutir a autonomia orçamentária do órgão. "O Banco Central não quer gastar um centavo que não passe pelo escrutínio público", enfatizou.
Galípolo também afirmou que 2025 foi um ano em que a autoridade monetária precisou reforçar tanto a condução da política monetária quanto a estabilidade financeira. "Foi um período de grandes desafios para o BC", pontuou.
Ele destacou ainda a importância de evitar "vácuos" nas informações, especialmente diante da rápida disseminação de boatos. "A transparência é um dos grandes desafios para bancos centrais em todo o mundo", afirmou.
Por fim, Galípolo agradeceu às associações do setor financeiro pelo apoio ao trabalho do Banco Central nos últimos meses.