INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

Enquanto escolas debatem, alunos já estudam com inteligência artificial

Os alunos adotam IA em massa, porém apenas 10% das escolas têm regras e o uso emocional da tecnologia levanta alertas inéditos

Por Gustavo Francisqueti Publicado em 09/02/2026 às 13:15

Enquanto escolas debatem se devem permitir ou não o uso de inteligência artificial, estudantes já incorporaram a tecnologia ao cotidiano de aprendizagem. É o que aponta o relatório Tendências de uso de IA nas Escolas em 2026, que mostra que o dilema sobre adotar ou não a IA é considerado ultrapassado por especialistas: a questão agora é como orientar, regular e integrar a tecnologia aos projetos pedagógicos.

O levantamento identifica dois movimentos simultâneos. De um lado, a IA surge como motor de inovação educacional, permitindo personalização do ensino, tutoria adaptativa e suporte ao professor. De outro, cresce o risco de aprofundamento das desigualdades educacionais, à medida que escolas com mais recursos adotam ferramentas avançadas enquanto instituições públicas e periféricas ficam para trás.

Dados internacionais citados no estudo revelam que dois em cada três alunos do ensino médio em países de alta renda já utilizam IA para estudar, seja para tirar dúvidas, organizar tarefas ou revisar conteúdos. No entanto, cerca de 10% das escolas possuem diretrizes formais sobre o uso da tecnologia, o que cria um vácuo regulatório dentro das salas de aula. A ausência de políticas claras tem provocado conflitos relacionados à autoria de trabalhos, plágio acadêmico e confiança nas respostas geradas por algoritmos.

O relatório também mostra que os estudantes não utilizam a IA de forma passiva. Pesquisas indicam que muitos alunos revisam, reescrevem e verificam as respostas geradas, demonstrando uma postura crítica em relação à tecnologia. Ainda assim, a falta de orientação institucional deixa jovens e professores diante de dilemas éticos, especialmente sobre transparência, dependência cognitiva e responsabilidade acadêmica.

Outro fenômeno emergente é o uso da IA como ferramenta de apoio emocional. O estudo aponta que 42% dos estudantes recorrem à tecnologia para lidar com questões pessoais, como ansiedade e organização da rotina. O dado levanta preocupações sobre privacidade, saúde mental e a necessidade de protocolos de proteção de dados no ambiente educacional.

Especialistas destacam que a proibição da tecnologia tende a ser ineficaz. Em vez de eliminar o uso, medidas restritivas empurram a prática para fora da escola, sem mediação pedagógica. “A escola precisa decidir se vai ignorar, proibir ou orientar. Os sistemas educacionais que avançaram escolheram orientar com intencionalidade pedagógica”, aponta Pedro Siciliano, CEO da Teachy.

A pesquisa também aponta que a adoção estruturada da IA pode redefinir o papel do professor, deslocando o foco de tarefas operacionais para atividades de mediação, análise crítica e acompanhamento individualizado dos alunos. Em sistemas que implementaram formação docente contínua, a tecnologia foi associada ao aumento do engajamento e melhoria no desempenho acadêmico, especialmente em disciplinas de exatas e linguagem.

Para 2026, a tendência global é que escolas e governos estabeleçam políticas próprias de IA, incluindo regras de transparência no uso de algoritmos, critérios de avaliação acadêmica, protocolos de proteção de dados e programas de capacitação para professores. O relatório conclui que a inteligência artificial pode ampliar o acesso ao conhecimento e reduzir desigualdades educacionais, mas sem governança clara corre o risco de reforçar disparidades já existentes no sistema educacional.

Sobre a Teachy

Fundada em 2022 por Pedro Siciliano, ex-professor de Matemática e Física com MBA pela Universidade de Stanford, e por Fábio Baldissera, cofundador da PipeRun, a Teachy é a maior plataforma de inteligência artificial para professores do mundo, presente em 39 países, disponível em 19 idiomas e utilizada por mais de 3 milhões de docentes, impactando a vida de mais de 30 milhões de alunos. Criada com o propósito de democratizar o acesso à tecnologia, empoderar professores e reinventar o ensino, a plataforma reúne mais de 60 ferramentas de IA pedagógica que apoiam professores e escolas em todo o processo de ensino, desde o planejamento de aulas em segundos até a personalização de materiais, correção automática de provas e engajamento dos alunos com metodologias ativas. Única na América Latina com esse foco, a Teachy se diferencia por ser um ecossistema completo para o professor, construído para o contexto escolar, personalizando e apoiando o fluxo de trabalho docente, do planejamento à avaliação.

Em julho de 2023, recebeu um aporte pré-seed de R$8 milhões liderado pela NXTP, com participação da Roble Ventures, o maior investimento neste estágio já realizado em uma EdTech no Brasil. Em 2024, levantou uma Série A de US$7 milhões liderada pela Goodwater Capital e Reach Capital para acelerar sua expansão internacional, especialmente na América Latina e Ásia. 

Consolidada como referência global, a Teachy continua a impulsionar inovação educacional e a profissionalização do ensino em escala mundial.