António José Seguro é eleito presidente de Portugal com proposta de 'esquerda moderna'
Candidato do Partido Socialista conquista vitória expressiva sobre André Ventura e promete estabilidade e confiança ao país.
O representante do Partido Socialista (PS), António José Seguro, foi eleito presidente de Portugal no segundo turno das eleições realizadas neste domingo, 8. Com 99,2% das urnas apuradas, segundo o Ministério da Administração Interna, Seguro obteve 66,82% dos votos, enquanto André Ventura, do Chega, partido de extrema-direita, alcançou 33,18%.
Seguro, de 63 anos, nasceu em Penamacor, vila a cerca de 300 quilômetros de Lisboa. É licenciado em Relações Internacionais pela Universidade Autónoma de Lisboa (UAL) e mestre em Ciência Política pelo Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa. Atua também como professor convidado da UAL, onde leciona Teoria do Estado e Pensamento Político e Social.
Entre 1991 e 1995, Seguro foi deputado na Assembleia da República e manteve relação próxima com António Guterres, ex-primeiro-ministro de Portugal e atual secretário-geral da ONU. Durante o governo Guterres, ocupou o cargo de secretário de Estado da Juventude. No final dos anos 1990, deixou o governo para integrar o Parlamento Europeu, retornando à política nacional em 2001 como secretário de Estado Adjunto do primeiro-ministro.
Em 2011, foi eleito secretário-geral do PS, sendo reeleito em 2013. Em 2014, perdeu as primárias para António Costa, que comandou o governo português entre 2015 e 2024 e atualmente preside o Conselho Europeu. Após a derrota, Seguro afastou-se da política por dez anos.
Em 3 de junho de 2025, anunciou sua candidatura à presidência pelo PS, defendendo que Portugal precisava de "estabilidade" e "confiança". Durante a campanha, posicionou-se como um candidato moderado, propondo uma "esquerda moderna".
No primeiro turno das eleições, realizado em 18 de janeiro, Seguro liderou com 31,1% dos votos. Ele tomará posse em 9 de março, sucedendo Marcelo Rebelo de Sousa, presidente desde 2016.
Em Portugal, o presidente da República não exerce o governo no cotidiano — essa é uma atribuição do primeiro-ministro e do gabinete. Cabe ao presidente, contudo, intervir em crises políticas e vetar leis aprovadas pelo Parlamento.