LUTO

Morre Cícero Jiripankó, superintendente de Povos Originários de Alagoas, aos 47 anos

Intelectual indígena e liderança histórica, Cicinho teve atuação marcante na defesa dos territórios, da cultura e dos direitos dos povos originários no estado

Por Redação Publicado em 09/02/2026 às 17:43
Tribuna Hoje

A Secretaria de Estado dos Direitos Humanos de Alagoas (Sedh) comunicou, neste domingo (8), o falecimento do superintendente de Povos Originários do Governo do Estado, Cícero Pereira dos Santos, conhecido como Cicinho Jiripankó. Ele tinha 47 anos. A causa da morte não foi divulgada oficialmente.

Figura de referência na luta indígena em Alagoas, Cicinho Jiripankó era reconhecido por sua atuação política, acadêmica e social em defesa dos povos originários. Natural do aldeamento Ouricuri, localizado no município de Pariconha, no Sertão alagoano, construiu uma trajetória marcada pelo compromisso com a preservação cultural, o fortalecimento das comunidades indígenas e a ampliação dos direitos territoriais.

Formado em História pela Universidade Estadual de Alagoas (Uneal), Cicinho também atuou como educador, escritor e intelectual indígena. Ao longo da carreira, contribuiu para o debate público sobre identidade, memória e resistência dos povos originários, além de participar ativamente de articulações políticas em âmbito estadual e nacional.

Em nota de pesar, a Sedh destacou a importância do superintendente para o fortalecimento das políticas públicas voltadas aos povos indígenas. “Neste momento de dor, a Secretaria manifesta solidariedade ao povo indígena Jiripankó e as mais sinceras condolências aos familiares, amigos e a todos que conviveram com sua admirável trajetória de vida”, diz o comunicado oficial.

A morte de Cicinho também gerou ampla repercussão entre lideranças políticas e instituições acadêmicas. O deputado estadual Ronaldo Medeiros (PT) lamentou a perda e ressaltou o impacto coletivo da partida. “Recebo com profunda tristeza a notícia do falecimento do nosso companheiro de jornada. Sua partida não é apenas uma perda pessoal, é uma perda política, histórica e coletiva”, afirmou.

O Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas da Universidade Federal de Alagoas (Neabi/Ufal) também manifestou pesar. Em nota, a instituição destacou a coragem e a dignidade com que Cicinho Jiripankó conduziu sua militância, além da parceria construída com o Neabi Sertão em ações voltadas à defesa dos povos indígenas.

À frente da Superintendência de Povos Originários, Cicinho Jiripankó estava diretamente envolvido na elaboração da minuta do Conselho Estadual de Políticas Públicas para os Povos Indígenas e na construção do Plano Estadual voltado ao segmento. Audiências públicas estavam previstas para os próximos meses nas regiões do Sertão e do Agreste alagoano.

A morte do superintendente representa uma perda significativa para o movimento indígena em Alagoas. Seu legado, marcado pela articulação política, espiritual e cultural, permanece como referência para as lutas em defesa dos direitos, da memória e da justiça para os povos originários.