POLÍTICA MONETÁRIA

Miran afirma que Fed não é totalmente independente e tarifas podem reduzir juros nos EUA

Diretor do Federal Reserve destaca limites da autonomia do banco central e avalia que tarifas influenciam cenário econômico e fiscal dos Estados Unidos.

Publicado em 09/02/2026 às 18:07
Federal Reserve Depositphotos Foto: https://depositphotos.com/

O diretor do Federal Reserve (Fed), Stephan Miran, afirmou nesta segunda-feira (9) que, embora o banco central deva preservar sua autonomia na condução da política monetária, uma independência absoluta não existe. Segundo ele, as tarifas implementadas pelo governo Trump têm papel relevante na política fiscal dos Estados Unidos e, consequentemente, impactam o ambiente da política monetária.

Miran ressaltou que o Fed já mantém cooperação com o governo em diversas áreas, mas frisou que a atuação independente do banco central deve estar centrada no ciclo da política monetária. "A independência do Fed leva a decisões melhores, mas não existe um banco central 100% independente", afirmou.

O dirigente também avaliou que as tarifas não constituem um fator inflacionário significativo e considerou que as medidas aplicadas a vários países podem contribuir para a redução dos juros ao longo do tempo. Conforme Miran, o aumento da arrecadação com tarifas tem favorecido as contas públicas. "O mundo está começando a enxergar as tarifas como menos prejudiciais do que se imaginava", pontuou.

Miran ainda descartou impactos relevantes da política tarifária sobre o dólar, destacando a força da moeda americana como reserva global. Segundo ele, seria necessário um movimento muito expressivo do dólar para afetar a inflação, já que as variações cambiais recentes têm sido modestas e exercido impacto limitado sobre a política monetária. "Não vejo isso como algo que tenha tido consequências relevantes para a política monetária até agora", concluiu.