Irã admite possibilidade de diluir urânio enriquecido se EUA suspenderem sanções
Teerã condiciona redução do urânio a 60% à revogação total das sanções americanas, mas descarta envio do material a terceiros.
O Irã sinalizou nesta segunda-feira (9) que pode diluir seu estoque de urânio enriquecido a 60%, caso os Estados Unidos suspendam todas as sanções econômicas impostas ao país. A proposta foi apresentada durante as negociações nucleares retomadas em 6 de fevereiro.
O chefe da Organização de Energia Atômica do Irã, Mohammad Eslami, destacou que qualquer avanço depende da revogação integral das restrições que afetam a economia iraniana.
Apesar da abertura, Teerã descartou, por ora, a possibilidade de enviar seus mais de 400 quilos de urânio altamente enriquecido a um terceiro país — uma das condições sugeridas por Washington nas conversas realizadas em Omã.
O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, reforçou o direito "indiscutível" do Irã de enriquecer urânio para fins pacíficos e afirmou que a pauta nuclear é o único tema em debate com os EUA.
Segundo Araghchi, há chance de acordo com Washington sobre os pontos de impasse no programa nuclear iraniano.
"A abordagem americana é importante. Se esta abordagem for baseada no desejo de alcançar um acordo respeitoso, justo e honesto, com base em interesses mútuos, então, na minha opinião, existe possibilidade de acordo tanto em negociações diretas quanto indiretas", declarou neste domingo (8).
Em janeiro, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que uma "enorme armada" estava a caminho do Irã e que esperava que Teerã aceitasse negociar e assinar um acordo "justo e equitativo" que envolvesse o abandono completo das armas nucleares.
Trump também alertou que, se não houver acordo sobre o programa nuclear iraniano, eventuais ataques americanos ao Irã seriam "muito piores" do que os anteriores.