China orienta instituições financeiras a reduzirem exposição a títulos do Tesouro dos EUA
Decisão reflete desconfiança crescente em relação ao dólar e acompanha tendência global de diversificação de reservas
Autoridades reguladoras da China orientaram instituições financeiras do país a reduzirem a exposição a títulos do Tesouro dos Estados Unidos, refletindo um ceticismo crescente quanto à força do dólar diante do cenário econômico incerto nos EUA. A informação foi divulgada pela agência Bloomberg nesta segunda-feira (9).
Segundo a reportagem, a política tarifária adotada por Washington e os choques entre a Casa Branca e o Federal Reserve (Fed) estão entre os principais motivos para a medida.
"Embora o pedido tenha sido apresentado como uma forma de diversificar riscos, reforça uma tendência global recente que tem levado países como Índia e Brasil a reduzir sua exposição ao maior mercado de títulos do mundo, em meio a dúvidas crescentes sobre a atratividade dos ativos dos EUA", destaca a matéria. "Riscos geopolíticos, como as ameaças do presidente Donald Trump em relação à Groenlândia, apenas aprofundaram a apreensão e estimularam a busca por ativos alternativos, como o ouro."
Nos últimos anos, a participação da China na dívida americana vem diminuindo consideravelmente, tendo sido reduzida quase pela metade em relação ao pico registrado em 2013.
Atualmente, Japão e Reino Unido já superaram a China como principais credores dos Estados Unidos, resultado da estratégia de Pequim de diversificar e desdolarizar seus ativos internacionais.
A influência global do dólar segue em queda gradual à medida que mais países optam por diversificar reservas e ampliar o uso de moedas locais em transações bilaterais. Esse movimento preocupa Washington e sinaliza uma lenta erosão da hegemonia financeira dos EUA.