Câmara aprova urgência para projeto que propõe quebra de patente de Mounjaro e Zepbound
Proposta visa facilitar acesso aos medicamentos no SUS e pode gerar economia bilionária ao setor público
O plenário da Câmara dos Deputados aprovou, nesta segunda-feira (9), o regime de urgência para o projeto de lei que prevê a quebra de patente dos medicamentos Mounjaro e Zepbound. Com a decisão, o texto poderá ser votado diretamente no plenário, sem necessidade de passar por comissões temáticas.
A quebra de patente permite que o governo autorize outros laboratórios a produzir o medicamento, mesmo sem o consentimento do detentor original da patente. O objetivo é ampliar a oferta dos remédios e facilitar sua incorporação ao Sistema Único de Saúde (SUS).
O requerimento de urgência foi apresentado pelo deputado federal Mário Heringer (PDT-MG) e aprovado por 337 votos favoráveis e 19 contrários. Médico de formação, Heringer destacou que a adoção do medicamento pelo sistema público pode gerar uma economia de cerca de R$ 70 bilhões aos cofres públicos.
"Há uma série de doenças que podem ser tratadas com esse tipo de medicamento. O recurso gasto para tratar essas enfermidades tende a superar o valor despendido na aquisição do remédio. Com a quebra da patente, o acesso deixará de ficar restrito às pessoas mais favorecidas, como ocorre hoje", argumentou o parlamentar.
A bancada do Partido Novo orientou voto contrário à urgência. De acordo com a deputada Adriana Ventura (Novo-SP), a proposta pode gerar insegurança jurídica e desestimular investimentos em inovação no Brasil.
"A patente tem um papel fundamental: garantir investimento. No mundo inteiro é assim. Com essa medida, outros investimentos podem ser desencorajados. A discussão é legítima, mas, no mínimo, deveríamos realizar uma série de debates e audiências. Esse tema precisa ser mais aprofundado", afirmou Adriana Ventura.