MERCADO FINANCEIRO

Tesouro Nacional capta US$ 4,5 bilhões em primeira emissão externa de 2026

Operação histórica inclui recorde em títulos de 10 anos e menor spread para papéis de 30 anos em mais de uma década

Publicado em 09/02/2026 às 22:00
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O Tesouro Nacional captou US$ 4,5 bilhões no mercado internacional de dívida nesta segunda-feira, 6, em sua primeira operação externa de 2026, conforme antecipado pela Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.

Do total, US$ 3,5 bilhões foram obtidos por meio da emissão de novos bonds de 10 anos, com cupom de juros de 6,250% ao ano, pagos semestralmente em 22 de maio e 22 de novembro. Os títulos foram emitidos a 98,896% do valor de face, o que resultou em uma taxa de retorno anual de 6,400%, equivalente a um spread de 220 pontos-base acima da Treasury norte-americana de referência.

Esse volume de US$ 3,5 bilhões para o Global 2036 representa o maior já registrado para um título brasileiro de 10 anos.

Em relação ao bônus da República Global 2056, com vencimento em 12 de janeiro de 2056, houve ampliação de US$ 1,0 bilhão na emissão, elevando o total em circulação para US$ 3,5 bilhões — um aumento de 40% sobre a emissão original. O papel tem cupom de 7,250% ao ano, com pagamentos semestrais em 12 de janeiro e 12 de julho. A emissão ocorreu a 99,385% do valor de face, proporcionando retorno anual de 7,300% e spread de 245 pontos-base sobre a Treasury. Segundo o Tesouro, este foi o menor spread de lançamento para um título brasileiro de 30 anos em mais de dez anos, inferior ao da estreia do mesmo papel há cerca de cinco meses.

O objetivo da operação é fortalecer a estratégia do Tesouro Nacional de promover liquidez na curva de juros soberana em dólar no mercado externo, servir de referência para o setor corporativo e antecipar o financiamento de vencimentos em moeda estrangeira.

A demanda pelas duas emissões atingiu US$ 12 bilhões em seu pico, com 466 ordens no livro de ofertas, superando em 2,7 vezes o volume emitido.

Os bancos HSBC, JP Morgan, Santander e Sumitomo lideram a operação, cuja liquidação financeira está prevista para 19 de fevereiro de 2026.

Investidores da Europa e América do Norte representaram cerca de 90% da demanda, enquanto a América Latina, incluindo o Brasil, ficou com aproximadamente 9%. Em nota, o Tesouro destacou que a elevada procura, o alto volume e os spreads reduzidos evidenciam a confiança dos investidores na robustez e atratividade da dívida soberana brasileira, refletindo percepção positiva do mercado internacional sobre a credibilidade do País.

"A emissão reforça o importante papel da dívida externa para o alongamento do prazo médio da dívida, diversificação e ampliação da base de investidores. Adicionalmente, corrobora o papel da Dívida Pública Federal externa no estabelecimento de benchmarks líquidos e na curva de juros soberana, como referência para futuras emissões de empresas brasileiras no exterior", informou o órgão.

Por fim, o Tesouro ressaltou que a emissão de títulos com vencimentos em 10 e 30 anos contribui para o alongamento do perfil da dívida e fortalece pontos estratégicos da curva, frequentemente utilizados como referência por emissores corporativos.

A operação anterior mais recente do Tesouro no mercado externo ocorreu em novembro do ano passado, quando foram captados US$ 2,25 bilhões em títulos sustentáveis, com demanda de R$ 6,7 bilhões.

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