Megablocos: coronel da PM diz que grades permitem ação rápida e não aponta erro de organização
Alvo de críticas, a utilização de grades de contenção para organização dos dois megablocos que desfilaram domingo, 8, na Rua da Consolação, no centro da cidade de São Paulo, não foi decisiva para agravar os transtornos enfrentados pelos foliões que foram até a região, segundo avaliação da Polícia Militar paulista.
"Os gradis são móveis justamente para isso, para ter a possibilidade de abertura, de alargamento, para aumentar o fluxo", disse ao Estadão o coronel Carlos Henrique Lucena, coordenador operacional da PM. "Ficamos felizes de não ter pessoas feridas gravemente", acrescentou.
O bloco Skol, cuja principal atração era o DJ Calvin Harris, e o Acadêmicos do Baixo Augusta foram marcados por superlotação, tumulto e congestionamento, com foliões passando mal, público pressionado contra grades - inclusive de prédios privados - e pessoas subindo em beirais e banheiros químicos.
Os superblocos tiveram a concentração organizada não só na mesma rua, como em horários próximos (um começava às 11h e o outro, às 14h). Com os transtornos, porém, houve atrasos generalizados. Após monitoramento por drones, a Polícia Militar acionou um plano emergencial para evitar que a situação piorasse ainda mais na região.
"Quando nós vimos uma grande concentração de pessoas, nós acionamos o plano de contingência, que envolve a redução (de público) e até suprimir as linhas de acesso laterais", afirmou o coronel Lucena.
"Nós também realizamos as aberturas de todas as vias transversais e paralelas, a composição do Metrô também parou de passar ali na Estação Mackenzie (da Linha 4-Amarela), e nós também desviamos algumas pessoas que estavam descendo a Consolação", disse ainda.
Na avaliação dele, mesmo diante dos transtornos, as medidas foram decisivas para que a PM, em parceria com outros órgãos, como a Guarda Civil Metropolitana, permitisse que o fluxo dos trios elétricos dos megablocos descesse a Rua da Consolação até os arredores da Praça Roosevelt, onde houve a dispersão.
Conforme Lucena, durante toda a operação de carnaval, que engloba o pré, o carnaval e o pós, a Polícia Militar desencadeia, dentro do Centro de Operações da PM, o Copom, a chamada sala de gerenciamento de incidentes.
Foi a partir de lá que houve a decisão por ativar o plano de contingência. "Nela, estão presentes todas as agências fiscalizadoras e as forças de segurança: Polícia Militar, Polícia Civil, Guarda Civil, CET, SPTrans, SPTuris, Metrô, CPTM. Ou seja, não há espaço para uma ação singular, é tudo uma ação em conjunto", afirmou.
O coronel afirma que, ao todo, 25 drones são usados no carnaval em todo o Estado, alguns deles com capacidade de zoom de até 200 vezes. Além disso, a PM incorporou cerca de 12 mil agentes ao efetivo rotineiro, sendo quase a metade (5 mil) na capital paulista.
"Além dos gradis, nós também tínhamos várias torres de observação em toda a Consolação, as patrulhas de menor complexidade e de maior complexidade conjugadas com as viaturas. Tudo isso obviamente é móvel. Dentro de um plano de contingência, você realoca, priorizando sempre a fluidez do espaço", disse. "O bem maior, que é a vida dos foliões, foi preservado."
Pré-carnaval saiu conforme planejado, segundo Prefeitura
A Prefeitura de São Paulo afirmou, em balanço sobre o pré-carnaval nesta segunda-feira, 9, que o fim de semana de folia ocorreu "conforme o planejamento" e defendeu a "eficiência da operação". Foliões, ainda assim, relatam um cenário de caos e questionam a aprovação de dois megablocos em horários próximos na mesma rua.
Lucena não especifica se a PM chegou a sugerir a realização de um dos blocos em outro local. "A Rua da Consolação já é tradicionalmente utilizada pelo carnaval de rua. Ela possibilita, no seu leito carroçável, o transcurso dos trios, e nas duas laterais também possibilita o que nós chamamos da linha da vida, inclusive com trânsito até para viaturas", disse.
Na avaliação de Alan Fernandes, conselheiro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), a Rua da Consolação possui estrutura suficiente para a realização de blocos. "É uma via que historicamente recebe desde manifestações a blocos de carnaval", afirmou.
Fernandes, que já foi comandante de batalhão da PM paulista, afirma que a utilização de grades de contenção também não foi um problema. "Fitas, por exemplo, não dariam conta de cumprir o mesmo propósito, de orientação do público pelas vias de acesso", disse.
O maior erro, segundo ele, foi justamente a aprovação de dois megablocos em horários próximos e com trajetos parcialmente coincidentes, o que acabou sobrecarregando a região. "Que sirva de aprendizado", afirma. Ainda não há, porém, divulgação de grandes mudanças em relação à programação do carnaval de São Paulo diante dos episódios de domingo.
Conforme a Prefeitura, para garantir que o desempenho dos blocos não afete os desfiles, a administração terá, a partir dos próximos megablocos, agentes da Prefeitura dentro dos trios para evitar eventuais transtornos com a dinâmica do carnaval de rua. Além disso, ficaram definidas novas medidas de segurança em alguns dos circuitos.
"Na região do Parque do Ibirapuera, os foliões contarão com mais duas áreas de saída, uma pelo estacionamento do prédio da Assembleia Legislativa e outra pela Rua Abílio Diniz. Haverá também reposicionamento dos postos de saúde para outras áreas dentro do próprio circuito, sem qualquer prejuízo aos atendimentos que contam com 960 profissionais dedicados durante todo o carnaval", disse.
A gestão municipal afirmou que, ao todo, 6,4 mil GCMs estão destinados ao policiamento no Carnaval, 20% a mais que no ano passado. Os circuitos dos megablocos contam ainda com 482 câmeras do Smart Sampa e 23 drones para monitoramento durante todos os desfiles.