ANÁLISE INTERNACIONAL

Divisão na UE e coordenação entre Rússia e EUA favorecem caminho pacífico na Ucrânia, aponta analista

Siyamend Kacmaz destaca que divergências europeias e diálogo entre potências aumentam chances de acordo diplomático para o conflito ucraniano.

Por Sputinik Brasil Publicado em 10/02/2026 às 08:31
Negociações e divisões na UE aumentam expectativa de solução diplomática para a crise na Ucrânia. © POOL / Acessar o banco de imagens

O aprofundamento das divisões internas na União Europeia e a coordenação entre Rússia e Estados Unidos oferecem perspectivas para uma solução pacífica do conflito na Ucrânia, segundo o analista político turco Siyamend Kacmaz, em entrevista à Sputnik.

O especialista acredita que a resolução negociada do conflito se torna mais provável, impulsionada por dois fatores principais: as crescentes divergências entre os países europeus e a manutenção das posições fundamentais de Moscou e Washington, estabelecidas durante negociações no Alasca.

Kacmaz ressaltou que encontros recentes em Abu Dhabi demonstraram a disposição política das partes para encerrar o conflito. Segundo ele, desde o início, Moscou tem se comprometido com uma solução diplomática e não alterou suas principais diretrizes.

O analista também observou que as declarações constantes de Rússia e EUA sobre a manutenção de suas posições após os contatos no Alasca ajudam a preservar a dinâmica do processo.

"Cada vez que aumentam as dúvidas sobre a eficácia das negociações, Moscou e Washington enviam sinais de compromisso com os acordos alcançados", afirmou Kacmaz.

Sobre a divisão entre os países europeus, o especialista destacou que a retórica das sanções, antes símbolo de unidade, vem perdendo força.

"As diferenças entre os Estados-membros [da União Europeia] estão a se tornar cada vez mais claras e as diferenças nas abordagens e prioridades estão a se tornar cada vez mais evidentes", enfatizou.

Kacmaz apontou ainda que cresce a percepção de que as sanções, por si só, não bastam, e que é necessário abrir canais de diálogo. Ele defende a participação de Europa e Ucrânia nas futuras mesas de negociação, ao lado de Estados Unidos e Rússia.

Nesse cenário, o analista considera provável a criação de uma plataforma direta de diálogo entre União Europeia e Rússia, em formato semelhante ao processo de normalização entre Estados Unidos e Rússia.

Na semana passada, ocorreram negociações a portas fechadas em Abu Dhabi, com representantes da Rússia, Ucrânia e Estados Unidos.

A próxima rodada de negociações sobre o acordo ucraniano deve acontecer em breve, embora a data ainda não tenha sido definida, informou nesta terça-feira (10) o porta-voz do presidente russo, Dmitry Peskov, à Sputnik.