JORNADA DE TRABALHO

Indústria manifesta preocupação com proposta de fim da escala 6x1

Fiesp, Abimaq e CNI alertam para impactos econômicos e riscos à competitividade com eventual mudança na legislação trabalhista

Publicado em 10/02/2026 às 13:04
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

Entidades representativas da indústria manifestaram, nesta terça-feira (10), preocupação com a proposta de extinção da escala de trabalho 6x1. A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) divulgou nota expressando apreensão quanto à condução do debate.

A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) destacou estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI), que projeta impacto de R$ 178,8 bilhões nos custos com empregados formais caso a proposta seja aprovada. O levantamento considera uma eventual redução legal da jornada para 36 horas semanais, no modelo 4x3, sem redução proporcional dos salários, o que representaria acréscimo de 25,1% no custo com pessoal, com base em valores de 2023.

Segundo o estudo, caso as empresas optem por contratar novos funcionários para manter o nível de produção, haverá aumento de despesas com salários, encargos legais e benefícios como plano de saúde, previdência privada, auxílio-creche, transporte e alimentação.

Em posicionamento oficial, a CNI defende que qualquer alteração na legislação trabalhista leve em conta a diversidade das realidades produtivas do país, os efeitos nos diferentes setores e portes de empresas, além das disparidades regionais e o impacto sobre a competitividade e a geração de empregos formais.

A Fiesp informa que mantém diálogo com lideranças sindicais e setores produtivos sobre a jornada de trabalho. Para a entidade paulista, eventuais mudanças devem respeitar a soberania das negociações coletivas, conforme previsto na Constituição Federal. "O engessamento da jornada por via constitucional, sem considerar as especificidades de cada setor, compromete a autonomia de empresas e trabalhadores", afirmou Paulo Skaf, presidente da Fiesp.

A entidade alerta para o risco de perda de competitividade e pressões inflacionárias caso a transição para uma jornada reduzida ocorra sem o correspondente aumento de produtividade ou redução do "Custo Brasil".

De acordo com a Fiesp, a medida impactaria "severamente" a sustentabilidade de pequenas e médias empresas, podendo gerar retração econômica, fechamento de postos de trabalho formais e avanço da informalidade, contrariando o objetivo original da proposta.

A Abimaq reforça que a medida representa risco concreto de graves prejuízos à economia brasileira, à competitividade do setor produtivo e, principalmente, ao emprego formal.