Lula elogia Alckmin, mira Minas e observa Alagoas: Calheiros querem dobradinha governo–Senado, mas não confiam em JHC
Em Alagoas, Renan Calheiros tenta o 5º mandato e depende de Renan Filho na linha de frente contra um adversário forte na capital e imprevisível nas alianças
O presidente Lula caprichou na semana passada nos elogios ao vice Geraldo Alckmin, comparando-o a José Alencar e dizendo que “duvida” que algum presidente tenha tido um vice como ele. A fala foi pública, solene e carregada de simbolismo — mas o próprio ambiente político que cerca 2026 tem mostrado que elogio não é contrato: é sinal de valorização num momento em que a vaga de vice entrou no balcão da composição nacional.
Minas como “fiel da balança” e o empurrão para um vice mineiro
A discussão sobre a vice passa, inevitavelmente, por Minas Gerais — o estado que, em análises recorrentes, aparece como estratégico e “decisivo”, por seu tamanho eleitoral e por ter acompanhado o vencedor em sucessivas eleições presidenciais desde 1989. Se Lula enxergar um cenário apertado, a tendência é buscar alguém que entregue palanque e musculatura justamente onde a eleição costuma ser decidida no detalhe.
Renan Filho é “bom player”, mas o tamanho do estado pesa na conta nacional
É nesse ponto que a cotação de Renan Filho para a vice enfrenta um limite objetivo: Alagoas é um colégio menor no mapa nacional. Renan aparece como nome forte, bem avaliado no governo e com trânsito político — tanto que voltou a ser citado publicamente como possível peça nacional em 2026.
Mas, para uma vice presidencial, Brasília tende a pensar em “peso bruto” (estado decisivo) e não apenas em qualidade individual — a não ser que as pesquisas indiquem, até as convenções, que Lula pode vencer com folga, abrindo espaço para escolhas mais “políticas” do que “aritméticas”.
O fator Renan Calheiros: 5º mandato, disputa dura e necessidade do filho
Em Alagoas, a prioridade do grupo é outra — e tem nome e urgência: Renan Calheiros trabalha para tentar novo mandato no Senado (o que seria o 5º), em uma disputa que pesquisas e análises já descrevem como dura e altamente competitiva.
Nesse desenho, Renan pai precisa de Renan Filho “em campo” para construir a dobradinha considerada ideal pelo MDB local: governo + Senado. A lógica é simples: sem a força do filho no tabuleiro estadual, a reeleição do senador fica mais vulnerável — sobretudo num cenário em que o jogo pode virar, e rápido.
JHC entra como obstáculo: forte na capital, difícil no diálogo
E é aqui que o nome de JHC volta para o centro da história. O prefeito de Maceió é visto como potencial adversário de peso no projeto estadual, com vantagem clara na capital. Ao mesmo tempo, é tratado, por aliados e adversários, como figura de negociação difícil — alguém que se comunica muito (nas redes) e conversa pouco, e que tende a fazer política pela lógica do anúncio, não do debate.
Nos bastidores, chegaram a circular relatos de acenos e tentativas de aproximação entre o grupo dos Calheiros e JHC. Parte dessa narrativa foi alimentada por comentaristas e publicações locais que especularam até sobre “preço eleitoral” envolvendo uma possível indicação ao STJ ligada ao entorno do prefeito — tema que virou munição de bastidor, com versões conflitantes e sem confirmação formal das partes.
O resultado político dessa leitura — independentemente de “quem contou primeiro” — é que os Calheiros passaram a repetir, em conversas reservadas, uma conclusão pragmática: não dá para confiar em JHC como aliado estável. E, sem confiança, aliança vira risco.
O resumo: Lula olha Minas; Alagoas vira guerra de palanque
No plano nacional, Lula elogia Alckmin, mas precisa montar uma chapa que vença um país ainda competitivo — e Minas surge como endereço óbvio para reduzir risco.
No plano alagoano, Renan Calheiros precisa do filho para tentar garantir o 5º mandato e sustentar a dobradinha com o governo do Estado; do outro lado, JHC segue como peça forte na capital e incerta na costura.
Se Renan Filho for puxado para Brasília como vice, o MDB pode até ganhar “foto nacional” — mas corre o risco de perder o chão em Alagoas. E, para quem está tentando reeleger um senador em disputa apertada, perder o chão pode custar caro.