Estados terão de criar 600 mil vagas em ensino técnico para abater dívidas com a União
Programa Juros por Educação prevê expansão da educação profissional e tecnológica como contrapartida para renegociação de débitos estaduais
Os 22 estados que aderiram ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag) deverão criar 600 mil novas vagas no ensino médio da educação profissional e tecnológica (EPT) até o final de 2026.
As metas de matrículas constam na portaria do Ministério da Educação (MEC), publicada no Diário Oficial da União desta segunda-feira (9).
A definição das metas de vagas gratuitas integra o programa Juros por Educação, que faz parte do Propag, criado pela Lei Complementar 212/2025.
Além de ampliar a oferta da educação profissional e tecnológica, a iniciativa do MEC busca combater a evasão escolar, aprimorar a infraestrutura das escolas, promover a formação continuada de profissionais da educação e aproximar a escola do mundo do trabalho.
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Troca da dívida
O Juros por Educação permite que estados e o Distrito Federal renegociem dívidas com a União.
A proposta prevê descontos nos juros e parcelamento dos débitos em até 30 anos, com possibilidade de amortizações extraordinárias e redução das parcelas nos primeiros cinco anos.
Com a diminuição das taxas de juros anuais, os estados podem economizar recursos e investir na ampliação de vagas em cursos técnicos de nível médio, além de melhorar a infraestrutura das unidades educacionais.
Os 22 estados participantes do Propag são: Acre, Alagoas, Amazonas, Amapá, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rondônia, Roraima, Rio Grande do Sul, Sergipe, São Paulo e Tocantins.
Metas
As metas de novas vagas para a EPT tomam por base o Plano Nacional de Educação (PNE) 2026-2036, que orienta as políticas do setor para a próxima década.
O cálculo também leva em conta a população estimada pelo último censo demográfico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O MEC considera diferentes etapas: meta nacional e estadual de matrículas, déficit estadual, volume estadual e nacional de matrículas.
Estados e o Distrito Federal poderão ofertar cursos técnicos em diferentes modalidades, inclusive na Educação de Jovens e Adultos (EJA), destinada a quem não concluiu os estudos na idade regular.
A formação profissional pode ser integrada ao ensino médio regular, simultaneamente, ou oferecida de forma subsequente, para quem já concluiu o ensino médio, desde que respeitadas as Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação Profissional e Tecnológica.
Acompanhamento
Serão consideradas apenas as matrículas realizadas diretamente pelas redes estaduais de ensino ou em parceria, devidamente registradas no Sistema Nacional de Informações da Educação Profissional e Tecnológica (Sistec).
A avaliação do programa será feita pelo MEC, com acompanhamento por meio da publicação periódica de balanços e relatórios de resultados.