GEOPOLÍTICA

'Ato simbólico': remoção de monumento à China expõe disputa de influência no Panamá

Decisão da prefeita de Arraiján reacende debate sobre pressão dos EUA e presença chinesa no país

Por Por Sputnik Brasil Publicado em 10/02/2026 às 23:03
Monumento chinês removido no Panamá simbolizava amizade e gerou polêmica geopolítica. © telegram SputnikBrasil / Acessar o banco de imagens

A recente remoção de um monumento chinês, erguido em 2004 para simbolizar a amizade entre Panamá e China, evidenciou a crescente disputa de influência entre Pequim e Washington no país centro-americano. O Panamá mantém relações estratégicas com ambos, mas o Canal do Panamá, rota fundamental do comércio global, é o principal foco dessa rivalidade.

Em dezembro, a retirada do monumento gerou controvérsia para o governo do presidente panamenho José Raúl Mulino, especialmente diante da pressão dos Estados Unidos para conter o avanço chinês na América Latina.

Segundo o internacionalista Thales Carvalho, a prefeita Stefany Peñalba, ao tomar essa decisão, assumiu uma posição na disputa geopolítica entre as duas potências. “É um ato muito simbólico, já repudiado pela Embaixada da China, pois demonstra um claro alinhamento”, afirma. Carvalho destaca ainda que, embora a medida não tenha partido do governo central — que, inclusive, criticou a remoção —, a ação da prefeita de Arraiján introduz um novo elemento à disputa, mostrando que ela ultrapassa os limites do governo nacional e atinge também as administrações locais.

Ele ressalta que a decisão desagradou a China, assim como outras ações dos EUA para limitar a influência chinesa no Panamá. No entanto, Pequim já vinha buscando alternativas para reduzir sua dependência do Canal do Panamá.

Para a jornalista panamenha Betty Herrera, a remoção foi uma medida inesperada, que surpreendeu a população, especialmente a comunidade chinesa local, responsável pelo financiamento do monumento por meio de doações. Herrera acredita que a decisão, embora polêmica, decorre mais da inexperiência da prefeita, que tem 32 anos e pouca vivência política, do que de um posicionamento geopolítico deliberado. Ela ressalta ainda que, como prefeita, Peñalba tinha autoridade para a retirada, especialmente diante dos problemas de conservação apresentados pela estrutura.