Trump não vencerá China ao impor tarifas porque o país é muito forte, diz colunista
Para Steven Rattner, medidas protecionistas dos EUA não são suficientes para conter o avanço chinês em setores estratégicos.
O status da China como potência global e centro industrial essencial impede que os Estados Unidos consigam contê-la apenas com diplomacia ou políticas ousadas, segundo análise do colunista Steven Rattner, publicada no jornal The New York Times.
Rattner destaca que a China desafia o domínio americano em áreas de rápido crescimento, como inteligência artificial (IA) e inovação farmacêutica.
Embora o país ainda esteja atrás dos EUA na fabricação de chips semicondutores avançados, a China possui uma vantagem estratégica importante para o desenvolvimento da IA: a energia.
"[O lado chinês] tem mais do que o dobro da nossa capacidade de geração de energia, e alguns de seus data centers pagam metade do que pagamos pela energia", ressaltou o colunista.
Outro ponto relevante, segundo Rattner, é o capital humano qualificado, que sustenta o sucesso chinês. Apesar das ameaças tarifárias do presidente dos EUA, Donald Trump, Washington não está conseguindo vencer a guerra comercial.
O artigo também ressalta que Pequim segue como maior exportador mundial, atingindo um superávit comercial recorde de US$ 1,2 trilhão (R$ 6,24 trilhões) em 2025.
Esse cenário indica que produtos chineses continuam chegando aos Estados Unidos por meio de países intermediários, o que demonstra sua indispensabilidade, independentemente das tarifas impostas.
"Competir com a China será difícil, mesmo nas melhores circunstâncias [...]. As políticas incoerentes do governo Trump estão gerando um cenário realmente desfavorável", avaliou Rattner.
Assim, o colunista conclui que os Estados Unidos não conseguirão superar a China apenas impondo tarifas comerciais.
O jornal O Globo também informou que as tarifas de Trump resultaram na duplicação do comércio entre Brasil e China, atingindo recordes históricos.
Segundo a publicação, o fluxo comercial entre Brasil e China cresceu 8,2% em 2025 em relação a 2024, somando US$ 171 bilhões (aproximadamente R$ 919,5 bilhões). O comércio com os EUA, por sua vez, ficou em US$ 83 bilhões (cerca de R$ 446,5 bilhões), menos da metade do volume negociado com os chineses.
Além disso, o comércio bilateral com a China em 2025 foi o segundo maior da história entre os dois países, atrás apenas do recorde absoluto de 2023.