CRISE EMPRESARIAL

Nelson Tanure perde controle da Alliança Saúde

Investidor sofre execução de dívidas, perde participação majoritária e enfrenta bloqueio de bens após investigações

Publicado em 11/02/2026 às 07:07
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

Após perder o controle da Empresa Metropolitana de Água e Energia (Emae) em outubro, o investidor Nelson Tanure enfrenta novo revés financeiro: uma dívida executada o fez deixar de ser o controlador da Alliança Saúde e perder também uma fatia que detinha na Light. As ações dessas empresas haviam sido dadas como garantia para um empréstimo destinado à aquisição da Ligga Telecom, por um consórcio formado pelas gestoras Farallon e Prisma, além dos bancos BTG e Santander.

Procurados, tanto Tanure quanto os credores não se pronunciaram sobre o caso.

Em fato relevante divulgado no último sábado, a Alliança informou que fundos ligados a Tanure agora detêm apenas 6,96% da empresa, participação bem inferior aos quase 67% anteriores. Com a redução, Tanure deixa de ser o controlador da companhia, que já teve sua filha, Isabella Tanure, como presidente executiva. Atualmente, Isabella ocupa a presidência do conselho de administração da Alliança.

Já a Light comunicou que o fundo Opus FIP passou a deter 9,9% de suas ações em decorrência da "excussão de alienação fiduciária", ou seja, as ações dadas em garantia de empréstimo foram executadas após inadimplência.

Bloqueio de bens e investigações

Em dezembro, Tanure havia conseguido negociar mais prazo com os credores para o pagamento da dívida de R$ 1,2 bilhão referente à aquisição da Ligga, como noticiado pelo Estadão. No entanto, sua situação financeira se agravou rapidamente.

O empresário foi um dos alvos da segunda fase da Operação Compliance Zero. Em 6 de janeiro, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli, relator do caso Master, determinou o bloqueio do patrimônio de Tanure.

Um inquérito da Polícia Federal também investiga sua ligação com o Banco Master. Tanure tentou transferir para o STF um processo que o investiga por uso de informação privilegiada na Gafisa, alegando proximidade com as investigações da Compliance Zero, mas Toffoli recusou o pedido e devolveu o caso à Justiça de São Paulo.

Tanure e Daniel Vorcaro, controlador do banco liquidado em novembro, costumavam adquirir participações em empresas em dificuldades financeiras. Parte do caixa dessas companhias era investido em papéis do Master. Com a derrocada do banco, parte dos investimentos e garantias de Tanure também foi prejudicada.

Dívidas e perda de ativos

O empréstimo que resultou na execução das garantias anunciada no sábado foi originalmente concedido à Bordeaux Participações (BP Participações), de Tanure. A Copel, posteriormente transformada em Ligga Telecom, foi adquirida por R$ 2,5 bilhões em 2020. Na operação, Tanure investiu R$ 1 bilhão e financiou o restante.

Segundo fontes próximas ao caso, Tanure quitou o empréstimo principal, mas não conseguiu arcar com os juros, o que resultou em sua maior dívida em aberto.

Em outubro, ele já havia perdido o controle da Emae para a Sabesp, que pagou R$ 1,1 bilhão à XP Investimentos e ao agente fiduciário Vórtx. Tanure havia tomado empréstimo para comprar a empresa de energia.

Em setembro, venceu o primeiro pagamento dos juros dessa dívida, que não foi quitado. Um novo prazo foi concedido, com encargos, mas também não foi cumprido. No total, a dívida já se aproximava de R$ 650 milhões. Sem perspectiva de recebimento, a Emae foi oferecida ao mercado e a Sabesp arrematou o negócio.

Com informações do jornal O Estado de S. Paulo.