Deputados acusam governo dos EUA de ocultar nomes ligados a Jeffrey Epstein
Parlamentares afirmam que Departamento de Justiça escondeu identidades de possíveis cúmplices do financista condenado por crimes sexuais
Deputados americanos acusaram o governo dos Estados Unidos de ocultar indevidamente a identidade de pelo menos seis homens que poderiam ser cúmplices do financista Jeffrey Epstein, condenado por crimes sexuais. Os parlamentares Thomas Massie (republicano) e Ro Khanna (democrata), que tiveram acesso aos documentos sem tarjas de censura, afirmaram que a divulgação dos arquivos pelo Departamento de Justiça, em janeiro, viola a lei aprovada no ano passado para garantir transparência sobre o caso.
Entre os seis citados estão o empresário Leslie Wexner, proprietário das marcas Victoria's Secret e Abercrombie & Fitch, e Sultan Ahmed bin Sulayem, empresário dos Emirados Árabes Unidos e CEO da DP World, empresa global de logística. Os outros quatro nomes, de menor notoriedade pública, são Salvatore Nuara, Zurab Mikeladze, Leonic Leonov e Nicola Caputo.
Desde segunda-feira, 9, deputados da Comissão de Supervisão da Câmara passaram a acessar versões sem cortes de aproximadamente 3 milhões de páginas de documentos, liberados com base na Lei de Transparência dos Arquivos Epstein, vigente desde dezembro. A legislação determina a divulgação integral dos registros, preservando apenas a identidade das vítimas ou de pessoas envolvidas em investigações em andamento.
Os parlamentares criticaram o Departamento de Justiça por disponibilizar apenas quatro computadores em uma sala restrita, sem permissão para celulares ou assessores. Segundo eles, nesse ritmo, seriam necessários pelo menos sete anos e meio para revisar todo o material. "Se encontramos esses seis nomes em duas horas, imagine quantos homens estão sendo protegidos nesses 3 milhões de arquivos", afirmou Khanna. "Por que estão protegendo esses ricos e poderosos?"
Revisão
Massie e Khanna, autores da lei, apontaram que os documentos analisados ainda apresentam ocultações indevidas. De acordo com eles, os cortes teriam sido feitos pelo FBI em março, antes do envio dos arquivos ao Departamento de Justiça dos EUA.
O democrata Jamie Raskin, que também teve acesso aos arquivos sem tarjas, relatou que o nome de Donald Trump foi omitido em diversos trechos, incluindo uma troca de e-mails entre advogados de Epstein e de Trump, em 2009, sobre visitas do financista a Mar-a-Lago, residência e resort do ex-presidente americano na Flórida.
Contradição
Em entrevista ao site Axios, Raskin declarou que o nome de Trump aparece "mais de um milhão de vezes" nos arquivos não editados. Pelo menos um desses registros contradiz o que o ex-presidente afirmou sobre sua ligação com Epstein, que, segundo ele, teria terminado em 2004.
Uma troca de e-mails de 2009 entre Epstein e sua então namorada, Ghislaine Maxwell, menciona uma ligação telefônica com Trump.
Com agências internacionais. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.